Amazônia
será o bioma que mais sofrerá, podendo
perder até 60% de sua cobertura vegetal
BRUXELAS - Em 2050, a geografia brasileira será
bastante distinta da que conhecemos hoje. O resultado
mais visível do aquecimento global na região
em que o Brasil está situado deve ser a substituição
progressiva da floresta tropical úmida, a Amazônia,
por uma espécie de vegetação
menos rica e estável que a savana, a vegetação
rasteira da África e semelhante ao cerrado.
O
relatório final do Grupo Intergovernamental
de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado
na tarde de sexta-feira, 6, não aborda o quanto
deverão ser elevadas as temperaturas para que
a substituição se efetive, mas especialistas
estimam que a variação de 2°C a
3°C poderá ser determinante para perdas
que poderão variar de 30% a 60% da floresta.
A alteração teria como efeito a redução
drástica da biodiversidade. Hoje, ao menos
40 mil espécies vegetais e 427 de animais são
classificadas na região.
As
alterações na floresta também
teriam impactos na estrutura hidrológica da
região, um fator de equilíbrio do clima
em toda a América Latina. A redução
da cobertura vegetal reduzirá a emissão
de umidade, alterando a freqüência e a
intensidade das chuvas em grande parte do continente.
Com isso, o nível dos rios também sofrerá
rebaixamento e um volume menor de água doce
desaguará no Oceano Atlântico, modificando
a correlação de correntes marítimas,
que também induzem a formação
de massas de ar.
Para
o climatologista brasileiro Carlos Nobre, autor de
projeções sobre a savanização,
a inclusão deste texto "reforça
ainda mais as políticas públicas para
Amazônia" e amplia a responsabilidade pela
conservação do bioma. "Não
adianta somente reduzir o desmatamento."
Além
da Amazônia, o relatório do IPCC cita
a tendência à desertificação
das regiões semi-áridas da América
do Sul, a exemplo do sertão nordestino. As
novas áreas secas e semi-áridas sofrerão
de salinização do solo e perderão
em capacidade produtiva, ampliando o risco à
segurança alimentar.
Com
redução dos recursos hídricos,
desde acesso à água potável e
irrigação até a exploração
energética de grandes bacias, o colapso em
uma sociedade não adaptada seria não
apenas social, mas também econômico.
Enquanto regiões ao norte e ao nordeste brasileiro
sofreriam com a seca, os centros urbanos litorâneos
passariam a enfrentar risco de cheias e inundações
imprevisíveis.
Embaixador
O Ministério das Relações Exteriores
escolheu o embaixador que será designado para
tratar de assuntos relacionados ao aquecimento global.
A função será exercida pelo embaixador
Sérgio Serra, que está em processo de
desligamento da embaixada do Brasil em Wellington
(Nova Zelândia). Ainda não está
definido, no entanto, quando Serra assumirá
o posto.
A
designação de Serra para o cargo é
um reflexo da atenção crescente que
o País vem dispensando ao assunto, que agora
também passa por questões estratégicas
como economia e transferência de tecnologias.
Andrei
Netto e Ligia Formenti - Estadao.com.br
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