A
cada 26 meses, a Terra se aproxima de Marte enquanto ambos orbitam
o Sol. Mas, no próximo dia 27 de agosto essa distância
será a menor dos últimos 59 mil anos. Para se ter
uma idéia, em geral, quando ocorrem essas aproximações,
Marte chega a estar a 70 milhões de quilômetros de
distância da Terra e agora chegará a cerca de 55,76
milhões.
Muito
se falou acerca do fato do encontro de 27 de agosto ser o mais próximo
em cerca de 60000 anos. |

Marte: distância
para a Terra diminuiu de 70 milhões de quilômetros
para cerca de 55,76 milhões. |
| Os
homens de Neanderthal foram os últimos a observar Marte tão
favoravelmente? Isto é verdade, mas também um pouco
de exagero. Marte e a Terra têm estado quase tão próximos
muitas vezes na história recente.
Alguns
exemplos: 23 de Agosto de 1924; 18 de Agosto de 1845; 13 de Agosto
de 1766. Em cada um destes casos Marte e a Terra estiveram aproximadamente
a 56 milhões de km.
Os astrónomos
chamam a estes encontros próximos de "oposições
periélicas". Periélico significa que Marte está
mais próximo do periélio – a sua aproximação
máxima ao Sol (a órbita de Marte, como a de todos
os planetas, é uma elipse, daí que a distância
entre o Sol e Marte varie). Oposição significa que
o Sol, a Terra e Marte estão numa linha reta com a Terra
no meio. Marte e o Sol estão em lados opostos do céu.
Quando Marte está em oposição e em periélio
– na mesma altura – está muito próximo
da Terra.
27 de
Agosto é, na verdade, a melhor oposição periélica
desde os dias dos homens de Neanderthal, mas pouco difere de outras
mais recentes. Mas não há qualquer problema pois todas
as oposições periélicas de Marte são
espectaculares. Esta será uma oportunidade única na
vida, pois uma aproximação como esta, só em
2287. Atualmente, já se pode ver Marte a olho nu logo ao
anoitecer no lado leste. Com a aproximação com a Terra,
seu brilho vem aumentando, tornando sua presença evidente
no céu. Após o pico da aproximação,
daqui a 17 dias, o planeta ainda poderá ser visto por cerca
de dois meses, sendo que seu tamanho e a intensidade de seu brilho
diminuirão enquanto ele se distancia da Terra.
Muitas
pessoas tem telefonando para o Observatório para saber sobre
aquela luz avermelhada no céu. O Hemisfério Sul -
mais precisamente entre as paralelas que passam sobre o Rio de Janeiro
e o Nordeste do Brasil - é a melhor localização
para observar Marte, pois o planeta aparece bem alto no céu.
Já no Hemisfério Norte, como o planeta aparece em
uma posição muito baixa no céu, sua observação
não é muito favorável. O melhor horário
para observar Marte é das 20h30, logo após o pôr-do-sol,
até as 6h30, hora em que o Sol está nascendo. Neste
horário, o planeta aparecerá logo acima do horizonte,
onde o Sol nasce. Não há como errar.
No pico
da aproximação, o planeta vermelho será do
tamanho de uma bola de tênis vista a uma distância de
528 metros, ou seja, menor que a metade da Lua. Apesar de pequeno,
neste momento ele será o astro mais brilhante no céu
e emitirá uma luz diferente da de todos os demais. Além
de ter uma cor vermelho-alaranjada - devido à presença
de óxido de ferro (ferrugem) no solo
marciano - é uma luz que não pisca, ao contrário
das emitidas por estrelas. Isso ocorre porque, assim como a Terra,
Marte apenas reflete a luminosidade do Sol.
Essa
aproximação só ocorre por causa das órbitas
dos dois planetas. a de Marte ''é muito excêntrica'',
ou seja, seu centro é levemente deslocado e um pouco maior
do que o da Terra. A órbita de Marte é 37 minutos
maior que a da Terra. Apesar disso, há pontos de maior aproximação,
como a que presenciamos agora. Quando Marte mantém sua distância
mais próxima do Sol, a cada 16 anos, as distâncias
entre a Terra e o planeta vermelho conseqüentemente diminuem.
Não
há necessidade de usar proteção para os olhos
quando olhando para Marte, pois a luminosidade do planeta não
é tão intensa como, por exemplo, a do Sol, que com
alguns segundos de exposição direta, seria capaz de
cegar alguém. Para poder ver qualquer detalhe da superfície
de Marte, o observatório aconselha o uso de um telescópio
de boa qualidade.
Observatório
Astronômico Antares |