"Construímos
um modelo de computador da parte inicial do sistema visual que
é capaz de pegar uma imagem qualquer, como dado de entrada,
e prever a atividade neural que será o dado de saída",
explica o principal autor do trabalho, Jack Gallant.
Na
edição desta semana da revista Nature, uma equipe
de pesquisadores da Universidade da Califórnia em
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Foto: Getty Image |
Berkeley relata a criação de um sistema capaz, ainda
que de modo rudimentar, de ler a mente humana, traduzindo o que
se passa no córtex visual primário do cérebro.
De
posse da previsão feita pelo computador, os pesquisadores
são capazes de executar a operação oposta:
comparar o gráfico gerado pelo programa com uma leitura real
de ressonância magnética funcional (fMRI) e, assim,
"adivinhar" para qual imagem o paciente está olhando.
Nos testes descritos na Nature, realizados com dois voluntários
- ambos co-autores do artigo -, o processo acertou a 'adivinhação'
de 80% a 90% das vezes, para uma galeria de até mil imagens.
Os pesquisadores estimam que num conjunto de 1 bilhão de
imagens o sistema acertaria cerca de 20% das vezes.
Gallant acredita
que o mesmo tipo de abordagem poderá funcionar para os demais
sentidos - audição, olfato, paladar, tato -, mas não
garante que seja possível chegar a ler emoções,
por exemplo. A tecnologia pode ser aplicada na criação
de interfaces entre cérebro e máquinas, para controle
de próteses diretamente pelo pensamento.
A nova técnica
pode permitir, no futuro, o desenvolvimento de um sistema que faça
a leitura da memória ou dos sonhos, já que reconstrói
imagens visuais. No entando, os cientistas dizem que por enquanto
a técnica pode ser aplicada apenas com imagens estáticas
já que os aparelhos de ressonância magnética
conseguem fazer apenas uma leitura a cada três ou quatro segundos,
o que torna impossível decodificar a atividade cerebral no
caso das imagens em movimento.
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