A
baixa renda das famílias negras obriga boa
parte dos jovens a abandonar precocemente a escola
para o ingresso no mercado de trabalho. Segundo o
“Mapa da Violência de 2006 – Os
Jovens do Brasil”, divulgado pela OEI, é
alto o índice de violência sofrida pelos
negros. O estudo aponta que o jovem negro é
o principal alvo: com 72,1% das mortes.
Outra
forma de violência que podemos citar é
a forma como os meios de comunicação
e livros escolares retratam negros e negras - estereotipados
como subalternos, escravos, sem família e como
trabalhadores sem qualificação.
Por
tudo isso, no dia 20 de novembro as organizações
do Movimento Negro estarão unidas nas ruas
clamando por:
*
inclusão no mercado de trabalho dos trabalhadores
negros e negras;
* titulação das terras das Comunidades
Quilombolas;
* democratização do acesso da juventude
negra à universidade pública;
* aprovação do Estatuto da Igualdade
Racial;
* melhor distribuição de renda; acesso
à saúde e educação com
qualidade;
* cultura e lazer; habitação;
* respeito às religiões de matrizes
africanas;
* contra o racismo, o machismo e a homofobia.
A
história do dia 20 de novembro!
Em
1971, retomando uma longa e rica trajetória
de participação política, o Movimento
Negro sai às ruas para denunciar o racismo
e lutar pela melhoria da condição de
vida da população negra brasileira.
Em
20 de novembro 1971, há trinta e seis anos
atrás, o Grupo Palmares de Porto Alegre, no
Rio Grande do Sul, realizou o primeiro ato publico
da historia do Brasil em homenagem a Zumbi.
Zumbi
foi apresentado como herói nacional e o 13
de maio foi apresentado como farsa da abolição.
Segundo o Jornal Versus, na seção do
Afro-Latino América, a imprensa negra daquela
época liderada pelo Jornalista Hamilton Cardoso
havia uma polêmica em relação
às comemorações do 13 de Maio.
O
Núcleo Negro Socialista propunha sair às
ruas nesta data porque avaliava que o 13 de Maio era
uma data simbólica para população
negra que ainda acreditava na “generosidade”
da princesa Isabel e no mito democracia racial, e
exatamente por estes motivos era necessário
reconstruir essa história através de
uma visão crítica sobre o que fora a
Abolição da Escravatura.
Foi
assim que o dia 13 de maio entrou no calendário
de luta como o Dia Nacional de denúncia contra
o Racismo. Enquanto o 20 de novembro foi instituído
como o Dia Nacional da Consciência Negra. A
data foi assumida pelo Movimento Negro Unificado em
1978 e a partir daí passou a ser comemorada
por todas as organizações negras como
a data mais importante da população
brasileira.
Estava
lançada a base para definição
das duas principais bandeiras de luta do Movimento
Negro Brasileiro uma representando a consciência
social contra o racismo e a outra valorizando a memória
de Zumbi dos Palmares.
A
história do Zumbi dos Palmares
Quem
foi Zumbi dos Palmares?
Líder
do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência
contra a escravidão que foi assassinado em
20 de novembro de 1695.
O
Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597,
nas terras da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas.
Em pouco tempo, o seu ideal de liberdade e competente
organização fez com que o quilombo se
tornasse uma verdadeira cidade.
Ate
que em 1695, a expedição de Domingos
Jorge Velho destruiu o Quilombo dos Palmares e assassinou
Zumbi. Destruiu um território livre símbolo
da resistência ao regime escravista e da consciência
negra de homens e mulheres em busca da liberdade e
da construção de uma nação.
Em
1995, depois de 300 anos de seu assassinato, foi realizada
no dia 20 de Novembro, a Marcha Zumbi dos Palmares
– contra o Racismo pela Igualdade e a Vida reunindo
em Brasília cerca de 30.000 pessoas.
Zumbi
dos Palmares foi oficialmente reconhecido pelo governo
brasileiro como herói nacional.
Recuperar
o ideário de Zumbi não é apenas
rememorar Palmares, mas resgatar um importante exemplo
de luta e organização pela emancipação
do povo brasileiro.
Viva
Zumbi dos Palmares!
Marcos Benedito}
Coordenador da CNCDR/CUT
blog: cncdr.zip.net
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