Google
vai deletar comunidades do Orkut a pedido da justiça
Medida quer resolver impasse entre o site e Ministérios
Públicos estaduais
Rodrigo Brancatelli
Alexandre
Barbosa/AE
SÃO PAULO - Numa tentativa de dar fim a um
impasse que dura quase dois anos, procuradores-gerais
de Justiça de todo o País aprovaram
na semana passada um convênio com a empresa
americana Google Inc. para combater crimes cometidos
no site de relacionamentos Orkut.
Pelo
acordo, os Ministérios Públicos terão
à disposição uma ferramenta exclusiva
para vasculhar o Orkut e até retirar páginas
do ar, sem a necessidade de determinação
judicial.
A
parceria já funciona no Rio e em Minas e a
previsão é que deve estender-se aos
outros Estados nos próximos meses. Os procuradores
tentavam desde 2005 obter a cooperação
da empresa para resolver crimes virtuais, mas a subsidiária
do Brasil se negava a repassar informações.
A
Google chegou a ser alvo no ano passado de uma ação
civil pública do Ministério Público
de São Paulo. Segundo o advogado Durval Noronha,
representante da empresa no País, os promotores
agora poderão navegar pelas comunidades virtuais
como usuários especiais e "selecionar"
aquelas que infrinjam algum ponto do Código
Penal - como racismo ou pedofilia.
Parceria
Uma equipe bilíngüe na matriz da Google,
na Califórnia (Estados Unidos), levará
no máximo 24 horas para responder aos promotores
e decidir sobre a exclusão de comentários
ou de comunidades consideradas ofensivas. No lugar
da página deletada, será colocado um
aviso com o símbolo da Polícia Federal.
A Google também promete guardar as informações
dos IPs dos usuários (códigos que registram
os acessos) por dois anos - e não por seis
meses, como acontece atualmente.
"Os
IPs serão mantidos para que possam ser usados
como prova judicial", diz Noronha. Ainda segundo
o acordo, não será mais preciso obter
ordem judicial para pedir a identificação
dos internautas que cometerem crimes contra a vida.
"Já
para requisitar os IPs dos internautas em caso de
outros crimes, como pedofilia, ainda será preciso
uma decisão da Justiça para que a Google
forneça os dados", afirma o advogado.
O
promotor do Ministério Público de São
Paulo Paulo Marco Ferreira Lima, que está negociando
os termos do acordo que serão colocados em
prática no Estado, afirma que a Google vai
arcar com todas as despesas do convênio. O site
possui hoje cerca de 15 milhões de usuários,
sendo 12 milhões brasileiros. "Agora não
há mais desculpas", diz. "O cerco
irá se fechar para quem acha que pode escrever
qualquer coisa na internet."
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