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Fãs
de todo o mundo celebram os 30 anos de Star Wars
Saga
espacial é um marco do cinema, tanto por ter
revolucionado o conceito de ficção científica
quanto por ter acumulado US$ 13,5 bilhões
Patrícia
Villalba
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| SÃO
PAULO - Jedi de todo o mundo, de São Paulo
a Tóquio, passando pela megafesta em Los Angeles,
empunharam nesta quinta-feira, 24, seus sabres de
luz de plástico para celebrar os 30 anos da
maior franquia que o cinema já viu surgir.
A data marca a estréia de Uma Nova Esperança,
o primeiro dos seis episódios da "space
opera" de George Lucas, mas o que a saga representa
transcende qualquer coisa que se tenha passado nas
telas antes e depois.
O
aniversário de Star Wars não é
de se desprezar, seja pelos US$ 13,5 bilhões
que acumulou, pelo fato de ter inovado os efeitos
especiais no cinema, pela marca de ter iniciado a
era dos blockbusters em Hollywood ou pelo proeza de
ter unido ciência e cultura pop, caminhos que
jamais tiveram volta. |
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"O
que a gente tinha visto antes, na mesma linha? Ah,
Flash Gordon! Nem dá para comparar", diz
o fã e analista de sistemas Joelson Ferreira,
de 39 anos. Ele não é daquele tipo de
fã que faz cosplay, não se veste de
Darth Vader - "me limito a usar uma camiseta
de vez em quando". Mas lembra-se direitinho da
fila enorme que teve de enfrentar na porta do cinema
de Madureira, no Rio, para ver Star Wars, há
30 anos. "A primeira vez, vi sentado na escada
da sala. Quando a primeira leva de público
saiu, eu e meus amigos sentamos e vimos de novo. Merecia
assistir sentado!"
Star
Wars é quase uma religião, e muitos
de seus apreciadores são mais seguidores do
que simples fãs. Fãs que se sentiram
no direito de ampliar a obra, em livros e histórias
em quadrinhos que de não-oficiais acabaram
sendo reconhecidos e incorporados por Lucas - o Universo
Expandido. Uma boa leva deles chega sem parar às
prateleiras das lojas especializadas em quadrinhos.
Star Wars 30th Aniversary é uma série
em oito partes da editora de quadrinhos Dark Horse
Comics, que reúne histórias clássicas
e/ou decisivas. Está à venda sob encomenda
no Brasil pela Devir.
Também
na Devir, fãs mais estrategistas têm
travado torneios de Star Wars Miniatures todos os
sábados, a partir das 13 horas. Além
de demandar certo raciocínio lógico,
o jogo requer um certo poder aquisitivo. As peças
- 420 no total, por enquanto - chegam a custar R$
150. Mesmo assim, os jogadores dizem que vale a pena,
se for para se sentir um Darth Vader ou um Luke Skywalker
sem precisar se fantasiar.
Quem
gosta de pôr uma roupinha bacana tem destino
certo no Playcenter, sábado e domingo. O pessoal
do fã-clube 501st Squad São Paulo -
uma "organização mundial de pessoas
fantasiadas" - promete fazer apresentações
de cosplay no palco, concursos e, claro, se divertir
nos brinquedos do parque. Os ingressos custam R$ 20
(antecipados) e R$ 26,90 (bilheteria).
Mais
comedido, o Conselho Jedi, outro grande fã-clube
brasileiro, comemora os 30 anos numa pizzaria. A festa
de arromba mesmo eles prometem para novembro, quando
devem reunir 1,7 mil pessoas na sua convenção
anual.
Mas
o fã que achar que não é tão
fã assim, a ponto de se fantasiar ou de gelar
o nariz na montanha-russa, pode ficar quentinho em
casa mesmo, em companhia da programação
especial que o canal pago Telecine montou para celebrar
a data. Vai exibir todos os episódios da saga,
um por dia, desta quinta-feira até a próxima
quarta-feira, às 22 horas, começando
com A Ameaça Fantasma. |
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Volta
à infância
Ryder Windham é um dos muitos meninos que
fecham os olhos hoje e podem se ver como há
30 anos, sentadinhos numa sala de cinema. A diferença
é que ele se tornou um dos maiores nomes
do Universo Expandido, um dos autores que se dedicam
a continuar contando a história proposta
nos filmes, e também um dos maiores especialistas
na saga. Prestes a sair de Nova York, onde mora,
para Los Angeles, para participar pela primeira
vez de uma convenção de Star Wars,
ele falou ao Estado:
Como
passou de fã a escritor de Star Wars?
De
1992 a 1995, fui editor da Dark Horse Comics e uma
de minhas primeiras tarefas foi o desenvolvimento
de Droids, uma nova série com C-3PO e R2-D2.
Eu me diverti muito, mas nem sonhava ser escritor
em tempo integral. Depois, deixei a Dark Horse,
me mudei para Nova York. Em 1996, me ligou o Allan
Kausch, que havia trabalhado como editor da divisão
editorial da Lucasfilm. Ele gostou do meu trabalho
e me recomendou como escritor. Então, posso
dizer que trabalhei com os livros de Star Wars desde
sempre.
Li
que você lança em breve o livro Star
Wars: The Rise and Fall of Darth Vader. Como contar
a história sob o ponto de vista de Darth
Vader?
Sim,
é um novo livro, deve sair pela editora Scholastic
no próximo mês. Não sei de onde
veio a idéia, é uma encomenda do editor,
David Levithan. Ele me perguntou simplesmente se
eu gostaria de recontar a saga sob o ponto de vista
de Vader, e eu pulei de cabeça. Li tudo sobre
Darth Vader, sei de todas as suas atividades fora
dos filmes, em livros e quadrinhos. Mas é
claro que incluí novas seqüências,
como quando Anakin Skywalker e sua mãe chegam
a Tatooine. Eu também quis incorporar detalhes
de outra história que escrevi, que revela
que Vader pegou um atalho com C-3PO em Cloud City
durante os eventos de O Império Contra-Ataca.
Então, meu trabalho é compor material
novo e antigo num livro completo sobre Vader. Em
outras palavras, não haverá digressões
de outros personagens ou cenas em que Vader não
esteja presente. Para os leitores familiarizados
com os filmes, haverá muitas surpresas.
Quando
você viu Star Wars pela primeira vez?
Em
junho de 1977, bem próximo do meu aniversário
de 13 anos. Virei fã imediatamente.
Por
que vamos celebrar os 30 anos do filme, por que
o aniversário merece comemoração?
Eu
acho que muita gente está celebrando porque
guarda lembranças profundas da época
em que viu o filme pela primeira vez. E para pessoas
de uma certa idade, é um caminho para se
reconectar com a infância. Meu irmão
e eu fugimos da escola para ver a estréia
de O Império Contra-Ataca. Fomos tão
cuidadosos para não sermos apanhados como
dois ridículos agentes mirins numa missão
secreta.
Até
hoje você revê os filmes da saga?
Eu
vi O império Contra-Ataca mais vezes do que
posso me lembrar. E continuo assistindo e me divertindo.
A
série de George Lucas transcendeu o sucesso,
e não acumula apenas fãs, mas seguidores.
Por quê? O que faz o filme tão especial
entre os tantos filmes de ficção científica?
Com
raríssimas exceções, os filmes
que vieram antes de Star Wars alertavam sobre os
perigos da tecnologia, pareciam querer deixar o
público com medo do futuro e das descobertas
científicas. Star Wars é a fantasia
de um lugar "há muito tempo, numa galáxia
muito distante". Então, não é
uma história associada a culturas, história
e ciência da Terra. Star Wars, ao contrário,
encoraja e acende a imaginação.
Estadao.com.br
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