São Paulo, de 2008
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Fãs de todo o mundo celebram os 30 anos de Star Wars


Saga espacial é um marco do cinema, tanto por ter revolucionado o conceito de ficção científica quanto por ter acumulado US$ 13,5 bilhões

Patrícia Villalba

   

SÃO PAULO - Jedi de todo o mundo, de São Paulo a Tóquio, passando pela megafesta em Los Angeles, empunharam nesta quinta-feira, 24, seus sabres de luz de plástico para celebrar os 30 anos da maior franquia que o cinema já viu surgir. A data marca a estréia de Uma Nova Esperança, o primeiro dos seis episódios da "space opera" de George Lucas, mas o que a saga representa transcende qualquer coisa que se tenha passado nas telas antes e depois.

O aniversário de Star Wars não é de se desprezar, seja pelos US$ 13,5 bilhões que acumulou, pelo fato de ter inovado os efeitos especiais no cinema, pela marca de ter iniciado a era dos blockbusters em Hollywood ou pelo proeza de ter unido ciência e cultura pop, caminhos que jamais tiveram volta.

"O que a gente tinha visto antes, na mesma linha? Ah, Flash Gordon! Nem dá para comparar", diz o fã e analista de sistemas Joelson Ferreira, de 39 anos. Ele não é daquele tipo de fã que faz cosplay, não se veste de Darth Vader - "me limito a usar uma camiseta de vez em quando". Mas lembra-se direitinho da fila enorme que teve de enfrentar na porta do cinema de Madureira, no Rio, para ver Star Wars, há 30 anos. "A primeira vez, vi sentado na escada da sala. Quando a primeira leva de público saiu, eu e meus amigos sentamos e vimos de novo. Merecia assistir sentado!"

Star Wars é quase uma religião, e muitos de seus apreciadores são mais seguidores do que simples fãs. Fãs que se sentiram no direito de ampliar a obra, em livros e histórias em quadrinhos que de não-oficiais acabaram sendo reconhecidos e incorporados por Lucas - o Universo Expandido. Uma boa leva deles chega sem parar às prateleiras das lojas especializadas em quadrinhos. Star Wars 30th Aniversary é uma série em oito partes da editora de quadrinhos Dark Horse Comics, que reúne histórias clássicas e/ou decisivas. Está à venda sob encomenda no Brasil pela Devir.

Também na Devir, fãs mais estrategistas têm travado torneios de Star Wars Miniatures todos os sábados, a partir das 13 horas. Além de demandar certo raciocínio lógico, o jogo requer um certo poder aquisitivo. As peças - 420 no total, por enquanto - chegam a custar R$ 150. Mesmo assim, os jogadores dizem que vale a pena, se for para se sentir um Darth Vader ou um Luke Skywalker sem precisar se fantasiar.

Quem gosta de pôr uma roupinha bacana tem destino certo no Playcenter, sábado e domingo. O pessoal do fã-clube 501st Squad São Paulo - uma "organização mundial de pessoas fantasiadas" - promete fazer apresentações de cosplay no palco, concursos e, claro, se divertir nos brinquedos do parque. Os ingressos custam R$ 20 (antecipados) e R$ 26,90 (bilheteria).

Mais comedido, o Conselho Jedi, outro grande fã-clube brasileiro, comemora os 30 anos numa pizzaria. A festa de arromba mesmo eles prometem para novembro, quando devem reunir 1,7 mil pessoas na sua convenção anual.

Mas o fã que achar que não é tão fã assim, a ponto de se fantasiar ou de gelar o nariz na montanha-russa, pode ficar quentinho em casa mesmo, em companhia da programação especial que o canal pago Telecine montou para celebrar a data. Vai exibir todos os episódios da saga, um por dia, desta quinta-feira até a próxima quarta-feira, às 22 horas, começando com A Ameaça Fantasma.

Volta à infância

Ryder Windham é um dos muitos meninos que fecham os olhos hoje e podem se ver como há 30 anos, sentadinhos numa sala de cinema. A diferença é que ele se tornou um dos maiores nomes do Universo Expandido, um dos autores que se dedicam a continuar contando a história proposta nos filmes, e também um dos maiores especialistas na saga. Prestes a sair de Nova York, onde mora, para Los Angeles, para participar pela primeira vez de uma convenção de Star Wars, ele falou ao Estado:

Como passou de fã a escritor de Star Wars?

De 1992 a 1995, fui editor da Dark Horse Comics e uma de minhas primeiras tarefas foi o desenvolvimento de Droids, uma nova série com C-3PO e R2-D2. Eu me diverti muito, mas nem sonhava ser escritor em tempo integral. Depois, deixei a Dark Horse, me mudei para Nova York. Em 1996, me ligou o Allan Kausch, que havia trabalhado como editor da divisão editorial da Lucasfilm. Ele gostou do meu trabalho e me recomendou como escritor. Então, posso dizer que trabalhei com os livros de Star Wars desde sempre.

Li que você lança em breve o livro Star Wars: The Rise and Fall of Darth Vader. Como contar a história sob o ponto de vista de Darth Vader?

Sim, é um novo livro, deve sair pela editora Scholastic no próximo mês. Não sei de onde veio a idéia, é uma encomenda do editor, David Levithan. Ele me perguntou simplesmente se eu gostaria de recontar a saga sob o ponto de vista de Vader, e eu pulei de cabeça. Li tudo sobre Darth Vader, sei de todas as suas atividades fora dos filmes, em livros e quadrinhos. Mas é claro que incluí novas seqüências, como quando Anakin Skywalker e sua mãe chegam a Tatooine. Eu também quis incorporar detalhes de outra história que escrevi, que revela que Vader pegou um atalho com C-3PO em Cloud City durante os eventos de O Império Contra-Ataca. Então, meu trabalho é compor material novo e antigo num livro completo sobre Vader. Em outras palavras, não haverá digressões de outros personagens ou cenas em que Vader não esteja presente. Para os leitores familiarizados com os filmes, haverá muitas surpresas.

Quando você viu Star Wars pela primeira vez?

Em junho de 1977, bem próximo do meu aniversário de 13 anos. Virei fã imediatamente.

Por que vamos celebrar os 30 anos do filme, por que o aniversário merece comemoração?

Eu acho que muita gente está celebrando porque guarda lembranças profundas da época em que viu o filme pela primeira vez. E para pessoas de uma certa idade, é um caminho para se reconectar com a infância. Meu irmão e eu fugimos da escola para ver a estréia de O Império Contra-Ataca. Fomos tão cuidadosos para não sermos apanhados como dois ridículos agentes mirins numa missão secreta.

Até hoje você revê os filmes da saga?

Eu vi O império Contra-Ataca mais vezes do que posso me lembrar. E continuo assistindo e me divertindo.

A série de George Lucas transcendeu o sucesso, e não acumula apenas fãs, mas seguidores. Por quê? O que faz o filme tão especial entre os tantos filmes de ficção científica?

Com raríssimas exceções, os filmes que vieram antes de Star Wars alertavam sobre os perigos da tecnologia, pareciam querer deixar o público com medo do futuro e das descobertas científicas. Star Wars é a fantasia de um lugar "há muito tempo, numa galáxia muito distante". Então, não é uma história associada a culturas, história e ciência da Terra. Star Wars, ao contrário, encoraja e acende a imaginação.

Estadao.com.br

 

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