"O
solo é formado por várias fatias horizontais
que fazem pressão de um lado para outro (veja
quadro). No caso da falha inversa, a compressão
faz os blocos se sobreporem, com a tendência
de um deles apontar para a superfície",
explicou.
As
pesquisas do geomorfólogo resultaram no Mapa
Neotectônico do Brasil, que mostra mais sete
falhas inversas no território brasileiro. Outras
40 são classificadas em transcorrentes ou normais
e uma não foi encaixada em nenhum tipo. As
mais comuns são as transcorrentes - 22 já
localizadas. Nessas, o movimento dos blocos é
na horizontal, mas não há sobreposição
de blocos. "Tanto na inversa como na transcorrente
existe compressão, o que costuma provocar tremores
maiores que uma falha normal (quando os blocos se
movimentam apenas na vertical)", relatou Saadi.
O
resultado da pesquisa de dois anos mostrou que, apesar
de o Brasil estar no centro de uma placa tectônica,
a Sul-Americana, não está livre dos
abalos sísmicos. Isso ocorre porque as placas
não são monolíticas e inteiriças.
Para o pesquisador, o território brasileiro
certamente possui um número maior de falhas
geológicas. "Identificamos as 48 maiores.
Mas, se fizermos um trabalho mais minucioso e com
mais recursos, claro que encontraremos mais."
O estudo do geomorfólogo faz parte do Programa
Internacional da Litosfera, projeto de pesquisa mundial
da ONU, com o objetivo de mapear as estruturas tectônicas
em atividade no planeta e tentar prever catástrofes.
Nas
48 falhas mapeadas existe potencial de tremores mas,
de acordo com o pesquisador, é muito difícil
saber quando eles vão ocorrer e com que intensidade.
O terremoto ocorre justamente quando a crosta terrestre
se rompe e causa o deslocamento dos blocos ao longo
de uma dessas fissuras.
Apesar
da dificuldade em prever um abalo sísmico,
a probabilidade de um terremoto de 5 graus na escala
Richter ocorrer nos próximos 30 anos na Região
Sudeste é de 50%, segundo a professora Maria
Cascão Ferreira de Almeida, da Universidade
Federal do Rio (UFRJ). "Não é para
se preocupar, é para ter consciência
do que pode ocorrer e tomar precauções."
Maria
Cascão também calculou a probabilidade
da ocorrência de tremores de 5 graus na costa
marítima, que segundo ela aumenta para 80%
nos próximos 30 anos na Região Sudeste.
Engenheira civil, ela trabalha na pesquisa de análises
sísmicas e em projetos de estruturas que sejam
resistentes a tremores. "O Brasil não
tem tradição em análises sísmicas.
Até a década de 1930 só era possível
captar sismos da magnitude 6."
Já
o professor Édson Farias Mello, do Departamento
de Geologia da UFRJ, alerta para o risco de pequenos
tremores derrubarem construções frágeis
sobretudo no interior do País. "O que
ocorreu em Minas foi um pouco forte para as nossas
condições, mas ainda assim o fato de
ter sido com um pouco mais de intensidade não
chega a alarmar, como se fosse o prenúncio
de algo mais violento."
Camilla
Rigi e Felipe Werneck
Agência Estado
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