SINAL
DIGITAL
A alta definição significa imagens mais
nítidas, sem ruídos ou interferências.
Os televisores, hoje, sejam de tubo (CRT), plasma
ou LCD, recebem transmissão analógica.
Como som e imagem são transmitidos de maneira
contínua, e o sinal de transmissão está
sujeito a interferências geográficas,
a imagem pode sofrer com ruídos e perda de
qualidade.
Já
na transmissão digital, não há
perda de sinal até a recepção
doméstica. O conteúdo é transmitido
em pacotes binários (de “0” e “1”,
como na informática) e, por isso, chega à
televisão das residências exatamente
como foi transmitido pela emissora.
Em
2 de dezembro, toda a grande São Paulo deve
estar coberta pela transmissão digital, de
acordo com o gerente de manutenção e
tecnologia da TV Globo de São Paulo, Carlos
Fini. Não é possível definir
uma regra infalível, mas, em teoria, quem hoje
recebe o sinal da TV analógica não vai
ter problemas com o sinal digital em seu televisor.
Além disso, os usuários dessas regiões
cobertas terão acesso aos serviços móveis
e de interatividade.
ALTA
DEFINIÇÃO
Além da estabilidade de recepção,
a TV digital permite imagens em alta definição,
com maior nitidez de cores e detalhes visuais antes
imperceptíveis na TV analógica. “As
câmeras que vão captar o cenário
de uma novela têm resolução seis
vezes maior que as usadas anteriormente”, exemplifica
Raymundo Barros, diretor de engenharia da TV Globo
em São Paulo.
Para
aproveitar essas novidades, o consumidor deverá
ter um televisor preparado para TV digital, com tela
de 480, 720 ou 1080 linhas horizontais. São
televisores de plasma ou LCD, geralmente com o rótulo
“HDTV” ou “Full HD”. Hoje,
no mercado, os aparelhos vão de 26 até
mais de 100 polegadas. Quem tiver um televisor analógico
receberá os sinais normalmente (desde que tenha
o conversor), mas a qualidade vai ser inferior a de
TVs de plasma e LCD.
Outro
aliado da alta definição é o
formato 16:9, padrão no cinema. A medida, baseada
na relação entre largura e altura das
telas, oferece um campo de visão maior que
o padrão 4:3, comum nos televisores analógicos.
Em dezembro, a programação da TV Digital
não será 100% digital, o que resulta
em formatos de imagem diferentes na tela.
Para
que as imagens não sejam distorcidas, a solução
é o uso de faixas pretas nos cantos da tela,
pois programas filmados em alta definição
(formato 16:9) terão como alvo os aparelhos
de TV com “tela de cinema” (também
16:9). Quando um programa antigo (4:3) for exibido
em uma TV moderna (16:9), as faixas pretas ficarão
nas laterais. Quando um programa em alta definição
(16:9) for exibido em uma TV antiga (4:3), as faixas
aparecerão em cima e embaixo da tela.

Imagens mais fiéis, em alta qualidade, significam
um nível de detalhes mais preciso. Cenários,
figurinos e maquiagens, por exemplo, precisam ser
revistos para que os defeitos, antes imperceptíveis
ao público, não prejudiquem a qualidade
dos programas.
Além
do som surround, já disponível em determinados
canais e programas, a TV Digital vai popularizar o
som 5.1, comum nos DVDs. Essa entrada de som está
disponível em televisores mais modernos, mas
também será oferecida por determinados
set-top boxes.
Com
seis caixas de som, o padrão 5.1 envolve o
telespectador na transmissão, e deve ser uma
escolha prioritária das emissoras em programas
de entretenimento, como filmes. Em esportes, porém,
a escolha exige maior preparação técnica.
Como são vários canais, o áudio
pode sofrer variação dependendo do maior
barulho feito por uma torcida ou outra, posicionadas
em lugares diferentes de um estádio.
INTERATIVIDADE
A interatividade vai permitir ao telespectador participar
da programação, em diferentes níveis
de “imersão”. Num primeiro momento,
ele poderá acionar menus informativos durante
uma notícia e acessar a grade de programação.
Em alguns casos, poderá escolher entre câmeras
em uma partida de futebol.
José
Marcelo Amaral, vice-coordenador do módulo
de mercado do Fórum Brasileiro de TV Digital
e diretor de tecnologia da Record, dá exemplos
na tela do computador com um protótipo do Ginga.
“Um noticiário pode trazer gráficos
de cotação do dólar. Um jogo
de futebol pode mostrar a escalação
dos times e indicar quais jogadores já receberam
cartão, por exemplo”.
A
implementação desses recursos, no entanto,
depende das emissoras e da disponibilidade de receptores
com o Ginga -- o telespectador pode aguardar novidades.
A
interatividade plena prevê mais atrativos. Teoricamente,
vai ser possível participar de enquetes, comprar
produtos e ter voz ativa na programação.
Especialistas consideram que a interação
deve deslanchar quando o interesse do público
for compreendido pelas emissoras e os testes práticos
começarem.
Parte
dos processos interativos mais avançados vai
depender do middleware, software responsável
por estabelecer a comunicação entre
a emissora e o telespectador. O padrão brasileiro
de TV Digital conta com um sistema desenvolvido no
país, o Ginga, que pode não estar disponível
na maioria dos set-top box em dezembro. Novos conversores
com esse middleware brasileiro deverão chegar
ao mercado em 2008, trazendo novas possibilidades
de interação. Se o usuário quiser
ficar atualizado com a tecnologia, deverá trocar
seu conversor, já que não é possível
“instalar” o Ginga no aparelho. Conversores
sem o middleware, entretanto, vão continuar
funcionando normalmente.
MOBILIDADE
Os sinais digitais poderão ser recebidos por
notebooks e também por televisores especiais
localizados em ônibus e automóveis.
A
recepção móvel em notebooks será
possível com aparelhos como o MobTV, receptor
que será lançado pela Tec Toy por R$
369. Ligado na entrada USB do computador, o aparelho
recebe os sinais em resolução de 320
x 240 e permite que os programas sejam gravados diretamente
no disco rígido. A Tec Toy afirma que será
possível pausar a programação
transmitida ao vivo, recurso conhecido como “timeshift”.
A
tecnologia prevê o uso de TVs específicas
em carros e ônibus, além da TV portátil,
ainda não disponível no país.
Em todos esses casos, a transmissão continua
sendo gratuita.
PORTABILIDADE
Ainda não existem aparelhos prontos para receber
o sinal digital, e os fabricantes não divulgaram
planos de lançamento. Esses aparelhos devem
chegar ao mercado no primeiro semestre de 2008.
Para
receber sinais de TV Digital, um celular precisa vir
preparado de fábrica, com set-top box integrado,
além de uma pequena antena. O modelo de participação
das operadoras está em discussão.
MULTIPROGRAMAÇÃO
Cada canal pode transmitir mais de um programa diferente
ao mesmo tempo. Isso dá às emissoras
flexibilidade para explorar desde a alta definição
até vários programas dentro de um mesmo
canal.
Uma
emissora pode optar por transmitir apenas um programa
durante a maior parte do tempo e, em ocasiões
especiais, ativar a multiprogramação,
transmitindo vários ângulos do mesmo
jogo de futebol ou apresentando programas diferentes.
É uma escolha que fica a cargo das emissoras,
mas não deve estar presente nas primeiras transmissões,
em dezembro.
G1
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