São Paulo, de 2008
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    31/01/2008  
Kagura - O Santuário de Deus
Foto de Caio Domingues
Centro Cultural de São Paulo/2008

Kagura é uma forma de teatro e dança característica do xintoísmo e que se realiza em cerimónias e festas importantes.
As origens da Kagura são muito antigas e estão ligadas às do Teatro Noh. Originalmente era realizada no palácio do Imperador por sacerdotizas, representando o mito do deus do sol, Amaterasu.

Estas danças no palácio imperial eram chamadas mikagura , por oposição às satokagura, versões populares da kagura que se realizavam fora do palácio.

Nos Santuários Xinto, a kagura realiza-se habitualmente ao ar livre, num palco que é por vezes coberto, de forma quadrada e com varandins, conhecido como Hirabutai.

As formas e conteúdos da satokagura variam radicalmente, consoante as regiões, locais e os momentos em que é realizada, mas podem ser grosseiramente divididas em quatro géneros: Miko Kagura: várias mulheres (Miko) dançam com leques e sinos, representando os antigos rituais em se considerava que as miko eram possuídas pelo kami e falavam em seu nome, actuando como oráculos.

Izumo-ryu kagura (kagura estilo Izumo): tratam-se representações de mitos e lendas sagradas, utilizando máscaras, tal como no Teatro Noh. É muito comum na região de Chugoku e no Japão Ocidental.

Ise-ryu kagura (kagura estilo Ise): Representa um ritual de purificação através da água a ferver (yudate). Daí que também é conhecida por yudate kagura. Está ligada aos rituais dos santuários exteriores do grande Santuário Ise.

Shishi kagura (ou kagura do leão): vários bailarinos utilizam uma máscara de leão, que se considera como sendo o corpo sagrado do kami (Shintai).
Apesar destas e doutras variações, a kagura apresenta normalmente uma estrutura em três partes: a recepção do kami, a oferta de entretenimento e, por fim, a despedida com o regresso ao honden do objecto sagrado (Shintai).

As várias formas da kagura têm vindo a perder o carácter de solenidade religiosa e a adquirir um tom mais ligeiro e de entretenimento e são realizadas em todas as festas mais importantes do calendário xinto.

Fantasias que chegam a custar US$ 30 mil, enredos ingênuos e maniqueístas e sons quase ininterruptos de tambores são os atrativos do kagura, modalidade de teatro surgida há mais de mil anos no Japão e que ainda movimenta campeonatos grandiosos em Hiroshima e em Shimane, onde é mais praticada.

Os representantes brasileiros do kagura são heterodoxos. Segundo a coordenadora Aiko Tachibana, 59, a maioria dos 15 jovens integrantes do grupo não é fluente em japonês --dois nem são descendentes. "Acabamos cortando algumas falas para facilitar o trabalho dos atores e o entendimento do público, já que os textos são em japonês."

O kagura surgiu no século 11 como um ritual xintoísta realizado no palácio do imperador após a época da colheita, em agradecimento à deusa do sol. Quando uma versão popular do teatro passou passou a ser encenada diante do palácio, o povo copiou a idéia. Os trabalhadores da roça eram os atores e músicos e passavam as histórias e as músicas pela fala --não havia documentos nem partituras.

Hoje, alguns textos estão publicados, mas grande parte dos artistas ainda trata a arte como um segundo emprego, de acordo com Tachibana. "O kagura exige atores jovens, porque as fantasias têm três camadas, calça e máscara e chegam a pesar 20 kg. E, usando tudo isso, o ator ainda precisa dançar", explica a coordenadora.

Tachibana se espanta ao ser questionada sobre quem vence as batalhas entre bem e mal, no kagura. "O bem, claro. Sempre. Ninguém quer ver o mal vencer."

Wikipedia

 
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