Lille
é uma metrópole francesa da região Nord Pas-de-Calais
(departamento do extremo norte do país), situada na fronteira
com a Bélgica e que abriga algo em torno de um milhão
e setecentos mil habitantes (juntando-se aí os moradores
de outras comarcas vizinhas como Roubaix, Tourcoing e Villeneuve
D’Asq).
Quando cheguei ali para passar uma temporada no país, as
primeiras coisas a me chamarem a atenção enquanto
fotógrafo paulistano independente foram a pouca luminosidade
da cidade (o que me daria certo trabalho para conseguir tirar dali
imagens realmente satisfatórias) e a percepção
de que as desigualdades sociais na região são muito
fortes, apesar de se configurarem de uma forma diferente do que
as do Brasil (o que me deixou de certa forma receoso no sentido
da aproximação física das pessoas nas ruas).
Para me aclimatar ao ambiente novo decidi então não
ousar demais num primeiro momento e produzir fotos como as de cima,
simples, quase turísticas, nas quais o primeiro olhar de
um novo habitante temporário trava contato com os costumes
e a luz de uma cidade desconhecida.
Trata-se da Grand Place de Lille, ou Place Charles de Gaulle, o
principal centro comercial e turístico da região.
Com muitos postos comerciais (McDonald’s, Fnac, Furet du Nord,
etc), um teatro (Théâtre du Nord) e vários cafés
e restaurantes, é o ponto de convergência de todas
as regiões vizinhas, onde se pode perceber através
do movimento dos passantes e dos diálogos entre eles a grande
diversidade (e mesmo a tensão) cultural que existe na França:
franceses, árabes, africanos, brasileiros e europeus do leste,
todos cruzando o mesmo caminho. E é lá também
o local onde, nos últimos meses de cada ano, uma grande roda
gigante é montada como presente de Natal para os seus moradores.
Posso dizer como fotógrafo que o meu grande ponto de apoio
no que diz respeito à comunicação com a cidade
foi a essa praça, por todas essas características.
Porque a partir do momento em que a essência cultural do país
se desdobrava por meio do movimento cotidiano a olhos nus, a luminosidade
parca se tornava útil ao que poderia ser transmitido dela
por uma foto.
Diego
Carrera
diego.jazzboy@gmail.com |