“A camisinha é eficaz, sim, para prevenir que a contaminação
da outra pessoa, então, se usada corretamente e também
no sexo oral, os riscos não aumentam em relacionamentos sorodivergetes
(em que uma pessoa é portadora do vírus e outra, não)”,
explica o médico Murilo Moreira, presidente do CEN/Aids,
Conselho Empresarial Nacional para Prevenção do HIV/Aids.
Todas as outras atividades, como beijo na boca e as preliminares,
podem acontecer sem que haja nenhum drama adicional. O médico
esclarece que para que se tenha uma situação de risco
mesmo é preciso que a camisinha estoure, ou que as pessoas
estejam com machucados em áreas de contato e, mesmo assim,
não é só por que uma delas tem o HIV que a
outra automaticamente se contamina.
No caso de imprevistos, o que se recomenda é que a pessoa
procure um serviço de saúde para iniciar um procedimento
de barreira para a instalação do vírus, como
o início da tomada de medicação antirretroviral.
É um método utilizado em hospitais para minimizar
os riscos de contaminação quando médicos e
profissionais de saúde são expostos ao HIV e que pode
durar alguns meses, para atuar na chamada “janela”,
isto é, período entre a infecção e a
real instalação do vírus no organismo.
Sem informação
O que os soropositivos percebem quando precisam contar sobre o fato
a alguém é que ainda há pouca informação
sobre o HIV e a doença. Pedro*, 33, soropositivo há
7 anos, antes de abrir totalmente o jogo, sondou o namorado de 22
anos para ver o que ele sabia do assunto. “Vi que ele não
sabia muito sobre a possibilidade do relacionamento ser seguro e
ele demorou uns dois dias para assimila a informação.
Hoje já é tudo tranqüilo”.
Além da pouca informação, um ponto ainda atrapalha
muito as conversas e discussões sobre o assunto na sociedade
é o preconceito. “A gente não comenta com os
outros mais porque todo mundo faz a associação de
que se eu sou soropositivo e ele é meu namorado, ele também
é”, diz Pedro.
“As pessoas ainda relacionam o vírus a pessoas com
aparência debilitada, de comportamento promíscuo, o
que não é meu caso. Sou uma garota normal, como qualquer
outra, vaidosa, estudo, saio, nunca usei drogas nem nada”,
fala Marina, que explica que o grande drama é a confusão
que as pessoas fazem entre o soropositivo e o doente com AIDS.
Ela faz exames de três em três meses para monitorar
a evolução de carga viral em seu organismo. “Se
a pessoa estiver saudável, mesmo contaminada, ela não
precisa fazer nada. Os portadores de HIV podem, inclusive, ficar
doentes, assim como os não portadores, por exemplo, posso
pegar um resfriado e isso não é motivo de pânico,
porque não tenho a doença AIDS, só o vírus
do HIV”.
Hoje, com os grandes avanços da medicina nessa área,
uma pessoa pode ter o HIV durante a vida toda e nunca desenvolver
a AIDS, o que dá aos soropositivos a oportunidade de namorar
de forma segura e saudável com qualquer outra pessoa, seja
ela soropositiva também ou não. Mulheres portadoras
do vírus podem até ter filhos saudáveis, se
engravidarem sob os cuidados de um médico.
No geral, a única coisa que muda é que os casais
sorodivergentes sabem exatamente a função e a importância
da camisinha na hora do sexo.