BOSTA À PARMEGIANA
Felipe Firmo de Freitas
por e-mail
A
experiência de morar na frente de uma feira
não é muito agradável! Você
desperta: “Olha a mandioca!” Almoça
ao cheiro de peixe e vai dormir fruta podre!
Todo
domingo tem feira na Praça Almeida Júnior
em frente a minha casa. Com o tempo, você se
acostuma. Em uma de minhas crises, já pensei
até em montar uma barraquinha. Se não
pode com eles, junte-se a eles!
Certo
dia, acordei cinco e meia da manhã, não
conseguia dormir por causa do calor. Fiz um café
ruim pra dedéu, tomei um banho e fui ler um
livro muito bom no banquinho da praça. Tipo
programa de aposentado. Quando abri a porta de casa,
quem estava lá? A maldita feira!
Fechei
a porta, sentei no sofá, e comecei a ler. Estava
acostumado a ler no banquinho da praça. O sofá
de casa não tem o mesmo sex-appeal!
Desisti
da leitura. Fui pra cozinha e fiz um pãozinho
com manteiga na chapa. Liguei a TV e estava passando
um programa de um tal de Jacaré. O cara é
o cover do Ratinho! Só que no programa dele,
pelo menos, tem umas gostosonas!
Meu estômago virou de cabeça pra baixo.
Programa do tal do Jacaré e pãozinho
com manteiga na chapa não combinam!
Fui
zapeando contra o vento, pois o vento nos leva a Globo,
SBT ou qualquer outra bosta. De repente, vi um rosto
conhecido num canal de televisão. Não
é todo dia que isso acontece! Era o Boi, um
cara que estudou comigo. O apelido dele era Boi porque
ele sempre foi troncudo. O estranho é que o
programa era daqueles que as tias gostam: receitas
de doces, salgados, aprenda a arrumar seu cabelo para
uma festa em cinco minutos... E o Boi estava lá
apresentando um desfile de biquínis! Aquele
Boi que eu conhecia, troncudo, sempre rodeado de meninas
havia se tornado um puta Boiola! Com um sotaque de
mamãe já sou um gay adulto! Foi muito
engraçado!
Continuei
zapeando. Parei num canal de vendas, daqueles que
te fazem de escravo por uma hora e meia e não
dizem o preço da porcaria do produto. Tinha
um cara mais frango do que eu, vendendo suplementos!
Quem que vai querer comprar? É como fazer uma
cirurgia plástica, com um cirurgião
com a cara do Ronald Golias! Tá doido!
Depois
de uma hora e meia, continuei zapeando. De repente,
ouvi a frase diabólica! Ô lôko
meu! Aquilo derreteu meu pavilhão auricular,
passou pela membrana do tímpano levando tudo
do ouvido médio: caixa timpânica, mastóide,
rinofaringe e tudo que não tinha direito! A
tuba auditiva e a trompa de eustáquio nunca
mais afinaram!
Era
ele mesmo, o rei das piadinhas sem graça, rodeado
de dançarinas-robô! Sempre os mesmos
convidados: Suzana Vieira e a molecada da malhação!
Resolvi abortar e desliguei a TV!
No
domingo seguinte, acordei cedo e fui ler no banquinho
da praça. Melhor ler um bom livro ao som de
“Olha a mandioca”, cheiro de peixe, fruta
podre, do que agüentar a bosta à parmegiana
da TV!
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