Era
um casal.
Quero dizer, era um casal porque uma voz era feminina e outra masculina,
não cheguei a ver suas fisionomias, eu estava no banco da
frente, mas achei simpático esse casal, apenas pela conversa.
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| Seus
comentários inteligentes e criativos me faziam entrar na
imaginação e acompanhar sua linha de pensamento.
Chamaram
atenção no comportamento da cobradora que falava no
celular, ao mesmo tempo que cobrava um passageiro, resultado, errou
no troco, perdeu dinheiro. Ficou o tempo todo fora do seu lugar
indo para frente do ônibus e, isto, influenciava o motorista
cujas atitudes no volante não eram nada convencionais.
E,
assim, iam trocando idéias.
Pelo caminho, aparecem árvores todas redondinhas.
- Olhe
estas árvores, parecem algodão doce!
Na entrada de Taboão da Serra, uma placa enorme pedindo para
combater a Dengue.
- Imagine, uma placa deste tamanho e um piscinão ainda maior
cheio de água verde, bem em frente!
Em São Paulo, impressionada com um prédio todo de
vidro, a moça pergunta:
- Como pode ser feito assim?
- A estrutura é de ferro e colocam o vidro nas esquadrias.
- Mas será que fica mais barato que cimento?
- Não sei, mas devem pagar bem caro pela manutenção
dos vidros limpos.
- São aqueles homens que ficam pendurados nos balancinhos?
Como deve ser perigoso.
- Não mais que o ônibus que nós estamos, - que
corria demais -, ou num carro.
- E avião então, aquele troço de asa dura que
não mexe, todo feito de metal com não sei quantas
toneladas de peso, cheio de gente dentro além da carga que
carrega.
- É, o avião deveria ter as asas móveis e assim,
quando fosse cair, ele bateria as asas e sairia voando como um pássaro.
Foi muito bom estar na frente deste casal.
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