| Dia
15/07/2008, um boneco desses de propaganda que ficam na gente de
comércios, foi seqüestrado. Estava lá todo equipadinho,
já que é essa a sua função, e de repente
sumiu.
Para
que vocês, caros leitores, tenham uma real amplitude de até
aonde vai à sanha desses facínoras, outro dia esse
mesmo boneco, foi atacado por elementos que lhe deram um belo de
um sopapo, arrancando sua cabeça que saiu
rolando pelo meio da avenida, quase sendo atropelada pelos automóveis,
ônibus e caminhões que por ali trafegam.
Graças
à presença de espírito e de humanidade de algumas
crianças que passavam pelo local, estas foram recolhendo:
cabeça de um lado, o capacete de outro, o óculos de
segurança de outro, a máscara em outro lugar ainda,
e contando com muita sorte o boneco saiu somente com um pequeno
raspão bem próximo de seus belos olhos azuis. O seu
patrão o Sr. Marcelo, apesar do susto, ficou feliz por nada
de mais grave ter acontecido com o “seu boneco”.
Para
as pessoas que vêem avisos nos acontecimentos, esse sopapo,
já era um mau presságio, um mau agouro, um indício
de que nuvens negras pairavam sobre a cabeça do inocente
boneco.
Voltemos ao dia 15/07/2008. Por volta das 18h, nosso
amigo Marcelo, patrão e proprietário do boneco, se
preparava para fechar o seu comércio, uma loja de venda de
artigos de segurança, saiu para recolher seu garoto propaganda,
digo, boneco propaganda, e foi neste momento que: suas pernas bambearam,
seu coração disparou, sentiu que seu sangue não
corria mais em suas veias. A visão que tinha do local onde
deveria estar seu funcionário, estava vazio.
Perguntas
começaram a se formular em sua cabeça: “Teria
o boneco saído para tomar café!”; “Por
ficar acorrentado a uma árvore o dia todo, embaixo de chuva
ou embaixo de sol, teria se rebelado a fugido?”; “Teria
se apaixonado, por alguma boneca de propaganda e fugido com ele?”;
“Teria ele em virtude dos maus tratos, abandonado o serviço?”.
Não
senhores, no local onde ficava o prestativo e laborioso boneco,
achou-se um pequeno bilhete onde se podia ler: “Isso
é um seqüestro, aguarde nosso contato a respeito das
bases da negociação”. Seria verdade?
Esse
seqüestro caiu como uma bomba no meio dos parceiros da já
famosa “Curva de Rio”. Todos queriam
sabe o que tinha acontecido. O disse me disse, corria solto no balcão.
Um dos componentes da curva, o Adriano, logo foi dando seu pitaco:
“Para registrar desaparecimento tem que esperar pelo
menos 24 h.”. Álvaro, no alto de sua
sabedoria, já embalado por duas ou três doses de uísque,
falava para quem quisesse ouvir: “Para mim deve ter
sido algum maníaco sexual” (pobre boneco),
e palpitava mais ainda: “Eu acho que você (Marcelo)
deveria instalar um ar System no boneco, assim cada vez que alguém
pusesse as mãos nele, o alarme dispararia dizendo: “Esse
boneco está sendo roubado, atenção, esse boneco
está sendo roubado”; e as opiniões
continuavam divergindo e acalorando mais e mais o assunto do seqüestro.
Alguém de repente sugeriu ao Marcelo ir até a delegacia
e dar parte, hipótese esta rapidamente descartada, já
que não se poderia explicar porquê do boneco ficar
acorrentado a uma árvore. Isso caracterizaria cárcere
privado, e ao invés de se registrar um B.O. de seqüestro,
de repente o próprio Marcelo poderia ficar detido por trabalho
escravo, e quem sabe até por cárcere privado.
O tempo passou e os seqüestradores não mais entraram
em contato. A pergunta que não queria se calar era: “Teria
mesmo sido um seqüestro?”.
É sabido que muitas pessoas simulam seu próprio
seqüestro, para encobrir ou justificar sumiços temporários
que não podem ser explicados, mas um boneco faria isso?
Enquanto isso, o caso corria de boca em boca. A
boataria também.
Chegavam
à redação deste jornal, notícias das
mais desencontradas sobre o paradeiro do nosso desaparecido boneco:
“Parece que foi visto andando na BR 116, lá
pelos lados de Itapecerica da Serra”. Outro ainda:
“Foi visto dormindo lá na Praça da Lagoa”.
E mais outra: “Foi visto dançando lá
no Caipirão.” Como podemos ver, nenhuma dessas
informações, eram de real credibilidade.
Mas, após uma ligação anônima
uma real e verdadeira pista sobre nosso desaparecido boneco. No
final de semana próximo passado, ele foi visto trabalhando
em um restaurante da idade. Saímos atrás de pistas
que confirmassem a informação e para nossa grata surpresa,
era realmente verdade.
O seqüestro não era seqüestro.
Tudo fora forjado pelo boneco, que já não agüentava
mais a exploração promovida por seu ex-patrão.
A vidinha que ele andava levando acorrentado a uma árvore,
entregue a todo tipo de infortúnio, salário que não
era pago nunca, muito próximo de uma insolação
ou de uma pneumonia, já que trabalhava sujeito a todas as
intempéries, foram motivos mais do que suficientes para que
ele fugisse e procurasse um novo emprego.
Moral
da história:
Diz o ditado: “A galinha do vizinho é sempre
mais apetitosa.”
Patrões tratem bem seus empregados, mesmo que estes sejam
meros bonecos de olhos azuis, já que o comércio do
vizinho pode ser mais atraente do que o seu para se trabalhar.
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