São Paulo, de 2008
    Crônicas


    11/02/2007

!!! Com todo esse peso, desci do ônibus de besta !!!

Por Luana Lacerda

 

A cidade está em reforma, estão construindo corredores de ônibus nas principais avenidas. Uma delas é exatamente por onde eu passo todos os dias, por essa razão estou pegando trânsito de meia hora.

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Como o ônibus já ficou meia hora parado faltando um ponto para eu descer, fazendo com que eu chegasse atrasada no meu destino, dessa vez eu resolvi descer do ônibus e ir a pé.

Quando faltava pouco para eu descer, me levantei do banco com um peso nos braços, pois eu estava levando 2 livros gigantes de 1000 páginas cada mais o material da faculdade e fui até a porta traseira do ônibus. Não dei sinal, pois faltava um ponto ainda para eu descer, e fiquei parada, em pé e com o peso.
Até aí tudo bem, o problema é que exatamente no momento que eu me levantei, surgiu o trânsito e o ônibus não passava da primeira marcha.
Fiquei um tempo em pé pensando: - "De novo vou ficar meia hora parada aqui? Será que é melhor eu descer e ir a pé? Mas eu estou carregada de coisas. E se eu descer e o ônibus passar de mim? Será que chegarei primeiro que o ônibus?” Foi aí que uma mocinha apareceu, deu o sinal e imediatamente o motorista abriu a porta.
Vendo aquela porta se abrindo, decidi então descer também. Com o peso nos braços comecei a caminhar rápido, pois já estava atrasada. Atravessei os cruzamentos da avenida e para constatar se fiz um bom negócio, toda hora olhava para o ônibus para ver se ele não me ultrapassava.
É horrível você descer, começar a andar e o ônibus te seguir com os passageiros olhando para você. A sensação é de que todos estão te olhando e pensando: - “Hahaha, desceu do ônibus de besta. Você está ai se cansando a toa e eu estou aqui sossegado, sentado dentro do ônibus”.
Quando eu estava dobrando a esquina e saindo do itinerário, olhei pela última vez o ônibus e não o vi mais. Com um sorriso no rosto pensei: - “Apesar do peso nos braços, fiz sim um bom negócio. A pé fui mais rápido que o ônibus”.
Quando eu já havia andado dois quarteirões e estava quase chegando na faculdade, adivinha meus caros leitores quem estava lá. Pois é, meu querido ônibus, que havia saído da rota para fugir.

 
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