São Paulo, de 2008
 > Há 100 anos

Julho de 1907

Acontecimentos

Vinte rapazes e Lord Baden-Powell participaram do primeiro Acampamento escoteiro da história de 29 de julho a 9 de agosto na Ilha de Brownsea na Inglaterra.

Nacimentos:
1 de Julho - Fabian von Schlabrendorff, resistente alemão (m. 1980)
6 de Julho - Frida Kahlo, pintora mexicana (m. 1954)
7 de Julho - Robert A. Heinlein, escritor de ficção científica estado-unidense (m. 1988)
14 de Julho - Francisco Sacco Landi (Chico Landi), piloto de automobilismo brasileiro (m. 1989)

E há 50 anos?
50 anos do Gibi de Jerônimo, o herói do sertão
   

Muito antes das festas de rodeio e do estilo country tomar conta dos nossos peões de boiadeiro, o Brasil já teve um cowboy que foi sucesso em todo país. Sob o patrocínio de Melhoral e do Leite de Magnésia de Philips, em 1953, entrava no ar pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro: Jerônimo, o herói do sertão, uma novela criada e escrita por Moysés Weltman e que ficaria no ar por 14 anos.

Moysés Weltman, radialista, jornalista, redator, atuou nas rádios Mayrink Veiga, Nacional, Globo, Tupi e Clube do Brasil. Escreveu programas e novelas para televisão. Foi produtor do programa A Cidade Contra o Crime na Rádio Globo Am onde participou dos Debates Populares , quadro do programa Haroldo de Andrade também apresentado pela Globo do Rio.


Jerônimo, o herói do sertão, nasceu na fictícia Cerro Bravo, interior paulista, filho de Maria Homem (personagem que Weltman declarou ser uma mistura de Maria Quitéria, Ana Terra e Anita Garibaldi). Cresceu no meio de disputas de terras em confrontos com capangas de coronéis, sendo que o mais terrível de todos era o Coronel Saturnino Bragança.
Jerônimo, que era interpretado pelo rádio-ator Milton Rangel, tinha também outros grandes inimigos como os bandidos Perneta, Caveira e Corisco. Mas nessa luta era sempre ajudado pelo seu fiel amigo Moleque Saci, interpretado por Cauê Filho e que era o preferido da garotada. Quando iniciava uma cavalgada, Jerônimo gritava para o seu cavalo: Vamos, Faísca ! E Moleque Saci também incentivava a sua montaria com o indefectível: Sebo nas canelas, Goiabada ! E assim que os cavalos disparavam ouvia-se o grito de guerra do herói do sertão: Jerôooonimooooooooo !!!!

Os poucos momentos de paz do cow-boy brasileiro aconteciam quando ele estava com sua noiva Aninha. Mesmo assim, por muitas vezes, tinha que salvá-la do perigo, pois seus inimigos viam nela o ponto fraco do herói.

A abertura da novela tinha como trilha a música de Getúlio Macedo Canção de Jerônimo , gravada pelo Coro da Rádio Nacional e mais tarde regravada por Emilinha Borba, que por isso passou a ser a primeira cantora a gravar um tema de novela.

Getúlio Macedo, nascido em 1928, em Sabino Pessoa, no Espírito Santo, foi criado de pés no chão em Cachoeiro do Itapemirim. Descalço, sem mala, nem cuia, foi para o Rio de Janeiro. É dele também a primeira música gravada para comemorar o primeiro Dia das Mães no Brasil (1952): Mãezinha Querida , na voz de Carlos Galhardo. (Minha mãezinha querida, mãezinha do coração. Te adorarei toda vida, com grande devoção...)

Em poucos anos, o sucesso de Jerônimo se tornou tão grande que foi criada uma revista em quadrinhos, gênero de absoluto sucesso na época. Assim, em julho de 1957, chegava às bancas o gibi de Jerônimo, o herói do sertão. O número 1 trazia a história Laços de Sangue . Os personagens eram desenhados por Edmundo Rodrigues e a revistada editada pelo RGE Rio Gráfica Editora.

Edmundo Rodrigues, nascido em 10 de Janeiro de 1935, no Estado do Pará, aos cinco anos foi para o Rio de Janeiro. Cursou vários cursos de artes, até o conceituado curso de Comics da Escola Continental de Hollywood nos EUA. No Rio estudou no Liceu de Belas Artes. Durante cinco anos, Edmundo desenhou 62 revistas mensais, 5 almanaques de 100 páginas, 2 exemplares extras das Peripécias do Moleque Saci e 2 exemplares de As Aventuras de Aninha.

Entre 1964 e 1967 a novela passou a ter problemas com o regime militar e acabou sendo suspensa. A censura acreditava que os coronéis , normalmente os bandidos das histórias, poderiam ser associados os coronéis do Exército.

Mas anos depois Jerônimo, o herói do sertão tornava a cavalgar em companhia de seu fiel e inseparável amigo Moleque Saci. Desta vez na televisão. A extinta TV Tupi reviveu o herói entre 1972 e 1973. Pouco mais de 10 anos depois o SBT trazia de volta o Paladino de Cerro Bravo com a novela Jerônimo entre 1984 e 1985.

E a força de Jerônimo continuou viva, pois em 1994 o herói foi chamado para desvendar o misterioso assassinato de um rico fazendeiro, cujo filho, Jorge, é preso injustamente, acusado de ser o autor do crime. Tudo isso aconteceu num filme dirigido por David Rangel. Acompanhado sempre por Aninha e Moleque Saci, nosso herói sai à procura do assassino. Usando primeiro a inteligência, depois os punhos e o gatilho, Jerônimo descobre o culpado, que é preso.

Jerônimo, o herói do sertão, continua no imaginário de muita gente e não será surpresa se, de repente, voltar a cavalgar novamente entoando o seu grito de guerra: Jerôooonimooooooooo !!!!

A CANÇÃO DO JERÔNIMO

Quem passar pelo sertão
Vai ouvir alguém falar
No herói desta canção,
Que eu venho aqui cantar.

Se é pro bem vai encontrar
Um Jerônimo protetor,
Se é pro mal vai enfrentar
Um Jerônimo lutador.

Filho de Maria Homem, nasceu.
Cerro Bravo foi seu berço natal.
Entre tiros e tocaias cresceu.
Hoje luta pelo bem contra o mal.

Galopando está em todo lugar,
Pelos pobres a lutar sem temer.
Com o Moleque Saci pra ajudar,
Ele faz qualquer valente tremer.

Tribuna

  1907
 
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