Muito
antes das festas de rodeio e do estilo
country tomar conta dos nossos peões
de boiadeiro, o Brasil já teve
um cowboy que foi sucesso em todo país.
Sob o patrocínio de Melhoral e
do Leite de Magnésia de Philips,
em 1953, entrava no ar pela Rádio
Nacional do Rio de Janeiro: Jerônimo,
o herói do sertão, uma novela
criada e escrita por Moysés Weltman
e que ficaria no ar por 14 anos.
Moysés
Weltman, radialista, jornalista, redator,
atuou nas rádios Mayrink Veiga,
Nacional, Globo, Tupi e Clube do Brasil.
Escreveu programas e novelas para televisão.
Foi produtor do programa A Cidade Contra
o Crime na Rádio Globo Am onde
participou dos Debates Populares , quadro
do programa Haroldo de Andrade também
apresentado pela Globo do Rio. |
|
|
Jerônimo, o herói do sertão,
nasceu na fictícia Cerro Bravo,
interior paulista, filho de Maria Homem
(personagem que Weltman declarou ser uma
mistura de Maria Quitéria, Ana
Terra e Anita Garibaldi). Cresceu no meio
de disputas de terras em confrontos com
capangas de coronéis, sendo que
o mais terrível de todos era o
Coronel Saturnino Bragança.
Jerônimo, que era interpretado pelo
rádio-ator Milton Rangel, tinha
também outros grandes inimigos
como os bandidos Perneta, Caveira e Corisco.
Mas nessa luta era sempre ajudado pelo
seu fiel amigo Moleque Saci, interpretado
por Cauê Filho e que era o preferido
da garotada. Quando iniciava uma cavalgada,
Jerônimo gritava para o seu cavalo:
Vamos, Faísca ! E Moleque Saci
também incentivava a sua montaria
com o indefectível: Sebo nas canelas,
Goiabada ! E assim que os cavalos disparavam
ouvia-se o grito de guerra do herói
do sertão: Jerôooonimooooooooo
!!!!
Os poucos momentos de paz do cow-boy brasileiro
aconteciam quando ele estava com sua noiva
Aninha. Mesmo assim, por muitas vezes,
tinha que salvá-la do perigo, pois
seus inimigos viam nela o ponto fraco
do herói.
A abertura da novela tinha como trilha
a música de Getúlio Macedo
Canção de Jerônimo
, gravada pelo Coro da Rádio Nacional
e mais tarde regravada por Emilinha Borba,
que por isso passou a ser a primeira cantora
a gravar um tema de novela.
Getúlio Macedo, nascido em 1928,
em Sabino Pessoa, no Espírito Santo,
foi criado de pés no chão
em Cachoeiro do Itapemirim. Descalço,
sem mala, nem cuia, foi para o Rio de
Janeiro. É dele também a
primeira música gravada para comemorar
o primeiro Dia das Mães no Brasil
(1952): Mãezinha Querida , na voz
de Carlos Galhardo. (Minha mãezinha
querida, mãezinha do coração.
Te adorarei toda vida, com grande devoção...)
Em poucos anos, o sucesso de Jerônimo
se tornou tão grande que foi criada
uma revista em quadrinhos, gênero
de absoluto sucesso na época. Assim,
em julho de 1957, chegava às bancas
o gibi de Jerônimo, o herói
do sertão. O número 1 trazia
a história Laços de Sangue
. Os personagens eram desenhados por Edmundo
Rodrigues e a revistada editada pelo RGE
Rio Gráfica Editora.
Edmundo Rodrigues, nascido em 10 de Janeiro
de 1935, no Estado do Pará, aos
cinco anos foi para o Rio de Janeiro.
Cursou vários cursos de artes,
até o conceituado curso de Comics
da Escola Continental de Hollywood nos
EUA. No Rio estudou no Liceu de Belas
Artes. Durante cinco anos, Edmundo desenhou
62 revistas mensais, 5 almanaques de 100
páginas, 2 exemplares extras das
Peripécias do Moleque Saci e 2
exemplares de As Aventuras de Aninha.
Entre 1964 e 1967 a novela passou a ter
problemas com o regime militar e acabou
sendo suspensa. A censura acreditava que
os coronéis , normalmente os bandidos
das histórias, poderiam ser associados
os coronéis do Exército.
Mas anos depois Jerônimo, o herói
do sertão tornava a cavalgar em
companhia de seu fiel e inseparável
amigo Moleque Saci. Desta vez na televisão.
A extinta TV Tupi reviveu o herói
entre 1972 e 1973. Pouco mais de 10 anos
depois o SBT trazia de volta o Paladino
de Cerro Bravo com a novela Jerônimo
entre 1984 e 1985.
E a força de Jerônimo continuou
viva, pois em 1994 o herói foi
chamado para desvendar o misterioso assassinato
de um rico fazendeiro, cujo filho, Jorge,
é preso injustamente, acusado de
ser o autor do crime. Tudo isso aconteceu
num filme dirigido por David Rangel. Acompanhado
sempre por Aninha e Moleque Saci, nosso
herói sai à procura do assassino.
Usando primeiro a inteligência,
depois os punhos e o gatilho, Jerônimo
descobre o culpado, que é preso.
Jerônimo, o herói do sertão,
continua no imaginário de muita
gente e não será surpresa
se, de repente, voltar a cavalgar novamente
entoando o seu grito de guerra: Jerôooonimooooooooo
!!!!
A
CANÇÃO DO JERÔNIMO
Quem
passar pelo sertão
Vai ouvir alguém falar
No herói desta canção,
Que eu venho aqui cantar.
Se
é pro bem vai encontrar
Um Jerônimo protetor,
Se é pro mal vai enfrentar
Um Jerônimo lutador.
Filho
de Maria Homem, nasceu.
Cerro Bravo foi seu berço natal.
Entre tiros e tocaias cresceu.
Hoje luta pelo bem contra o mal.
Galopando
está em todo lugar,
Pelos pobres a lutar sem temer.
Com o Moleque Saci pra ajudar,
Ele faz qualquer valente tremer.
Tribuna
|