São Paulo, de 2008
    Há 100 anos


   Junho/1908

Centenário de Machado de Assis

O centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis (1839 - 1908), em 29 de setembro deste ano, desencadeou uma série de eventos culturais. Como parte da homenagem ao maior autor brasileiro, a Fundação Casa de Rui Barbosa lançou um site concebido por uma equipe de bolsistas da instituição. A pesquisadora Marta de Senna teve a ideia de criar uma obra de referência que permite a localização das citações e alusões histórico-literárias identificadas nos romances e contos de Machado de Assis.

Em http://www.machadodeassis. net/, encontramos, além do banco de dados citado, uma biografia resumida do escritor, uma bibliografia básica com cerca de 30 títulos de livros e, num futuro


breve, uma revista eletrónica com artigos relevantes sobre o autor.

Recomendo uma visita à página http://www.machadodeassis.org.br/ lançada pela Academia Brasileira de Letras com informações completas sobre o bruxo do Cosme Velho e também o site do Domínio Público do Governo Federal, onde toda a obra de Machado de Assis está disponível para download em formato pdf. Nada mal para um país sem memória.

Daniel Piza em "Machado de Assis - Um gênio brasileiro", editora Imprensa Oficial, definiu bem certas características do escritor: "Ele enfrentou muitos preconceitos de sua época: o preconceito racial, como um mulato escuro que viveu dos 49 dos 69 anos num Brasil escravocrata; o preconceito social, como um epiléptico de origem muito pobre que tinha grandes ambições literárias; e o preconceito intelectual, como escritor que adotou linguagem concisa e cristalina, rejeitou o otimismo e a religião e jamais aderiu a modas estéticas".

Vale lembrar que Machado de Assis será o homenageado da 6ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontecerá entre os dias 2 e 6 de julho, na cidade fluminense. Homenagem mais do que merecida, diga-se de passagem.

Sua Vasta obra inclui poesias, peças de teatro e crítica literária, destacam-se o romance e o conto.

Na verdade Machado é um escritor que, embora geograficamente limitado à sua provincia, aos seus amigos, à sua cidade, é também um homem universal, porque o que ele reflete, o que ele pensa, é de tal ordem, que os acontecimentos que passavam pelo mundo encontravam sempre no centenário do cronista a expressão correspondente de um homem absolutamente atualizado. Além do esforço intelectual, notável em vista da sua ordem humilde a da cor, em país de conveniênciaracial porém de peconceito, distingue-o concentração na análise das paixões humanas, que deles faz um prosador conceptual.

Em seus romances e contos, e também nas crônicas políticas, é possivel acompanhar-se a história dos últimos 50 anos do século XIV no Rio de Janeiro. Com base em textos machadianos, aspectos do poder e das funções institucionais, emergência dos militares como camada social representativa, o poder do clero, os limitados meios de ascensão social, favoráveis apenas aos comerciantes, e financistas especuladores - uma vez que até os homens de letras eram marginalizados em sociedade governada pelo dinheiro oriundo, em grande parte, das heranças e do título nobiliárquico.

Efetiovamente os romances de Machado são textos influentes e nos permite ver o alcance da visãodesde o grande escritor, atennto às grandes produções literárias, critico em relação às tendências do seu tempo. A obra deste grande escritor é sempre um ponto de partida para outras obras, outros pensamentos, outros mundos e isso é apenas mais um elemento que construi essa grande força.

O estilo literário do autor tem inspirado muitos escritores brasileiros ao longo do tempo e sua obra tem sido adaptada para a televisão, teatro e o cinema. A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre de bservação psicologica.

   
 
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