A
vinda da Familia Real pro Brasil
No
dia 7 de março, fez 200 anos que um príncipe português
gorduchinho, uma princesa espanhola alvoroçada, uma rainha
meio tantã e dois garotos travessos chegaram ao Rio de Janeiro
depois de cruzar o oceano Atlântico.
Com eles, também embarcaram várias
pessoas ricas e importantes de Portugal. Todos estavam fugindo do
exército de Napoleão, o poderoso imperador francês
que já havia conquistado quase a Europa inteira.
Você já deve estar se perguntando por
que essa viagem, que aconteceu há bastante tempo, tem tanta
importância nos dias de hoje.
Pois bem, naquela época, o Brasil ainda era
uma colônia de Portugal. Tudo o que produzíamos era
enviado à metrópole. Não podíamos fazer
comércio com outros países, nem ter nossas próprias
moedas, jornais e livros. Além do isolamento, faltavam boas
estradas e moradia para a população.
Nova era
Quando a família real portuguesa veio para
cá, uma nova era na história do Brasil começou.
Por ter virado sede de um império, tornou-se um lugar mais
importante. Instalado aqui, dom João 6º criou o primeiro
banco, o primeiro jardim botânico, o primeiro jornal, melhorou
as condições de vida no Rio, além de permitir
que outros países fizessem comércio conosco.
Com isso, devagarzinho, as condições
para que nos tornássemos um país independente, em
1822, foram surgindo a partir daí.
Mas não pense você que esse episódio
trouxe apenas conseqüências positivas. Só o fato
de termos sido colonizados por Portugal fez com que herdássemos
muitas coisas ruins. Coisas que a família real não
mudou em sua passagem por aqui.
Algumas ainda são grandes problemas para
o Brasil. As diferenças sociais causadas por relações
injustas de poder e pela escravidão, a falta de boas condições
de vida para os mais pobres e a corrupção, que era
comum em Portugal, são algumas das heranças negativas
daquela época com as quais ainda convivemos hoje.
Carlota Joaquina
Filha do rei da Espanha, dona Carlota Joaquina jamais
gostou da mudança para o Brasil. Resmungou durante a viagem
e não gostou do Rio de Janeiro logo de cara. No fundo, ela
vivia preocupada com o futuro de seu país, que tinha sido
invadido por Napoleão. Esperneou, aprontou e armou intrigas
contra Portugal mesmo casada com o rei dom João 6º.
Apesar de ser feia, teve vários amantes por aqui. Por fim,
não sossegou até voltar para a Europa.
Dom João 6º
Gorduchinho e preguiçoso, dom João
6º ficou conhecido pela demora para tomar decisões importantes.
Mas essa característica acabou sendo muito útil para
salvar Portugal do avanço do imperador francês Napoleão.
Fingindo-se de bobo, ganhou tempo diante do poderoso adversário.
Enquanto isso, com a ajuda de seus ministros, planejou a mudança
para o Brasil e, por fim, salvou as posses de seu reino.
Dom Pedro 1º
O filho mais velho de dom João 6º era
um sujeito impetuoso e muito paquerador. Ficou famoso por namorar
várias moças do Rio daquela época e, por conta
disso, causar bastante confusão. Em 1821, seu pai foi obrigado
a voltar a Portugal para conter uma revolta que acontecia por lá.
Dom Pedro ficou em seu lugar e, no ano seguinte, declarou a independência
do Brasil, transformando-se em nosso primeiro imperador.
Dona Maria 1ª
A mãe de dom João 6º reinou em
Portugal por muitos anos até manifestar uma doença
mental. Por isso, foi afastada do cargo em favor do filho. Nos anos
em que passou no Brasil, viveu isolada. O curioso sobre ela é
que, apesar de ser apelidada de "a Louca", foi a única
pessoa a chamar a atenção para a má impressão
que causou o embarque repentino de toda a família real para
o Brasil. Ela teria dito: "Não corram tanto, vão
pensar que estamos fugindo!"
Napoleão Bonaparte
O imperador francês ficou no poder em seu
país por mais de dez anos e, nesse tempo, conquistou grandes
partes da Europa. Seu avanço foi tão intenso que o
pequeno Portugal não teve outra opção senão
a de mudar a sede da coroa para o Brasil. E isso só foi possível
porque os ingleses ajudaram dom João e sua família
a embarcar e a empreender a viagem. Depois de finalmente derrotado,
Napoleão foi preso e exilado numa ilha, chamada Santa Helena,
onde passou seus últimos dias.
Leopoldina
Naquele
tempo, as pessoas poderosas não costumavam se casar por amor,
e sim para obedecer a acordos entre reis e rainhas de diferentes
países. Foi por isso que a menina austríaca Leopoldina
veio ao Brasil em 1817. Seu destino era casar-se com dom Pedro 1º.
Inteligente, mas um tanto feinha, ela sofreu na mão do seu
marido mulherengo. Ainda assim, foi bastante importante ao ajudá-lo
a tomar decisões políticas, inclusive a da nossa independência.
Folha Online
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