São Paulo, de 2008
    Centenário da imigração japonesa


    13/03/2008

Mangá

O desenho livre, sofreu revolução nos anos 1940

Apesar de a palavra mangá ter origem muito antiga, foi no final da 2º Guerra Mundial (1939-1945) que um autor chamado Tezuka Ossamu ganhou destaque com seus desenhos de personagens com olhos grandes e esguio. Ele também inovou o conteúdo dos mangás e produziu "Princesa e o Cavaleiro", "Buddha", "Adolf" e "Astro Boy", segundo a pesquisadora Sônia Maria Bibe Luyten.

A acadêmica conta que, quando morou no Japão, de 1984 a 1991, a convite da Universidade de Estudos Estrangeiros de Osaka, Tóquio e


"Adolf" foi um dos sucessos do autor japonês Tezuka Ossamu

Tsukuba, conheceu pessoalmente Ossamu e visitou seu estúdio.

O traço do mangá evoluiu desde então, mas ainda preserva as principais características deixadas por Ossamu, que é chamado no Japão de kamisama, ou seja, o deus do mangá, segundo Luyten.

A palavra mangá, segundo a pesquisadora, é formada por dois kandi (junção de caracteres que formam uma palavra) que significam "desenhos inconseqüentes, livres".

"Um dos famosos gravuristas japoneses chamado Hokusai [1760-1849], o mesmo que fez as famosas 'As 36 Vistas do Monte Fuji', 'A Grande Onda de Kanagawa', fez alguns esquetes não convencionais para a época retratando a vida comum das ruas, as prostitutas, as casas de banho e usou pela primeira vez a palavra mangá", afirma Luyten.

No final do século 19, um desenhista chamado Rakuten Kitazawa usou novamente a palavra mangá e o termo se consolidou e está em uso até hoje, segundo a pesquisadora.

No Ocidente

Outra estudiosa dos mangás, Christine Akune Sato, 42, membro da Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) e autora do livro "Japop --O Poder da Cultura Pop Japonesa", afirma que no Ocidente a palavra mangá ganhou a conotação de quadrinhos no estilo japonês.

No entanto, no Japão, mangá quer dizer qualquer leitura de quadrinhos, que inclui uma gama variada de títulos, desde clássicos da Marvel, passando por nomes como René Goscinny e Albert Uderzo, Quino, e até mesmo Maurício de Sousa.

"No Japão, mangá é revista em quadrinhos, e no Ocidente são os japoneses, especificamente", afirmou Sato.

Ela afirma que os mangás, em seus diferentes gêneros e categorias, são uma leitura popular no Japão e abrangem qualquer público.

"O mangá é uma leitura de prazer, não um preconceito, uma tribo de quem lê. Lá todo mundo o faz e é muito comum ver este tipo de hábito em restaurantes, enquanto as pessoas esperam as refeições", disse a pesquisadora.

"Com as características editoriais que possuem [divisão por sexo e idade], ao estilo e conteúdo, o mangá faz parte da cultura pop japonesa. E dentro deste universo da cultura pop aparecem muitos traços da cultura tradicional japonesa. Existe também uma forte identificação entre o leitor e os personagens pois as histórias abrangem muitos aspectos que nem sempre os quadrinhos tradicionais abordam", afirma Luyten, sobre a importância do mangá na cultura japonesa.

Folha Online

 
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