| Tsukuba,
conheceu pessoalmente Ossamu e visitou seu estúdio.
O traço
do mangá evoluiu desde então, mas ainda preserva as
principais características deixadas por Ossamu, que é
chamado no Japão de kamisama, ou seja, o deus do mangá,
segundo Luyten.
A palavra mangá, segundo a pesquisadora,
é formada por dois kandi (junção de caracteres
que formam uma palavra) que significam "desenhos inconseqüentes,
livres".
"Um dos famosos gravuristas japoneses chamado
Hokusai [1760-1849], o mesmo que fez as famosas 'As 36 Vistas do
Monte Fuji', 'A Grande Onda de Kanagawa', fez alguns esquetes não
convencionais para a época retratando a vida comum das ruas,
as prostitutas, as casas de banho e usou pela primeira vez a palavra
mangá", afirma Luyten.
No final do século 19, um desenhista chamado
Rakuten Kitazawa usou novamente a palavra mangá e o termo
se consolidou e está em uso até hoje, segundo a pesquisadora.
No Ocidente
Outra estudiosa dos mangás, Christine Akune
Sato, 42, membro da Abrademi (Associação Brasileira
de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) e autora
do livro "Japop --O Poder da Cultura Pop Japonesa", afirma
que no Ocidente a palavra mangá ganhou a conotação
de quadrinhos no estilo japonês.
No entanto, no Japão, mangá quer dizer
qualquer leitura de quadrinhos, que inclui uma gama variada de títulos,
desde clássicos da Marvel, passando por nomes como René
Goscinny e Albert Uderzo, Quino, e até mesmo Maurício
de Sousa.
"No Japão, mangá é revista
em quadrinhos, e no Ocidente são os japoneses, especificamente",
afirmou Sato.
Ela afirma que os mangás, em seus diferentes
gêneros e categorias, são uma leitura popular no Japão
e abrangem qualquer público.
"O mangá é uma leitura de prazer,
não um preconceito, uma tribo de quem lê. Lá
todo mundo o faz e é muito comum ver este tipo de hábito
em restaurantes, enquanto as pessoas esperam as refeições",
disse a pesquisadora.
"Com as características editoriais que
possuem [divisão por sexo e idade], ao estilo e conteúdo,
o mangá faz parte da cultura pop japonesa. E dentro deste
universo da cultura pop aparecem muitos traços da cultura
tradicional japonesa. Existe também uma forte identificação
entre o leitor e os personagens pois as histórias abrangem
muitos aspectos que nem sempre os quadrinhos tradicionais abordam",
afirma Luyten, sobre a importância do mangá na cultura
japonesa.
Folha
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