São Paulo, de 2008
    Mãe Natureza


  11/06/2008

Por que ainda comeremos insetos

Larvas de mariposa e gafanhoto são ricos em proteínas e podem ajudar a combater a fome, dizem estudos

A proposta é séria e foi debatida em encontro da FAO, a Organização para omida e Agricultura da ONU.
Reunidos em Chiang Mai, no norte da Tailândia, mais de 30 cientistas de 15 países apresentaram estudos sobre o alto valor nutricional dos insetos e fizeram campanha pelo seu consumo. Estamos prontos para isso?

Qual a vantagem de comer insetos?
Insetos são altamente nutritivos. Segundo nutricionistas da FAO, larvas desidratadas de mariposa, por exemplo, possuem todos os minerais necessários para o ser humano, como potássio, cálcio, zinco e fósforo.
São também uma excelente fonte de energia e proteína. Cada 100 gramas equivalem a 430 calorias.
Gafanhotos grelhados têm 60% de proteína e apenas 6% de gordura. Num hambúrguer essa proporção é de somente 18% de proteína e 18% de gordura.

Estamos prontos para comê-los?
Insetos já estão no cardápio de cerca de 90 países da África, Ásia e América Latina. De acordo com a FAO, 1.462 espécies são consideradas comestíveis.
Libélulas são degustadas na Indonésia, escorpiões em Cingapura, içás (parte traseira das formigas) no Brasil.
No Japão, larvas gratinadas de mosca com molho shoyu é prato fino. Insetos ainda são gostosos, asseguram os apreciadores. Formigas têm um gosto levemente avinagrado. Já as traças lembram amêndoas.

E no Ocidente?
O tabu é forte. Os países europeus aprendem lentamente a apreciar essa exótica comida, mas os cosumidores ainda são, na maioria, imigrantes.
O Congo exporta cerca de 8 toneladas de diversas espécies por ano para a França e a Bélgica.
Em mercados tradicionais como La Boquería, em Barcelona, barracas vendem aranhas e escorpiões desidratados. Livros de receitas, como Eat-A-Bug Cook-book (algo como O Livro de Receitas dos Insetos) são vendidos pela internet.
Cabe lembrar que os insetos eram apreciados nas antigas culturas ocidentais. O historiador Plínio, o Velho (23 d.C. – 79 d.C.), autor de Naturalis Historia, conta que larvas de besouro eram degustadas com vinho nas festas dos aristocratas romanos. O filósofo grego Aristóteles (384ª.C. – 322ª.C.) ensinava que a melhor época para comer cigarras fêmeas era depois da cópula, quando elas estavam cheias de ovos.

Em que momento comer insetos passou a ser repugnante?
Depois que a Europa se tornou agrária os insetos passaram a ser vistos mais como destruidores de lavoura do que fonte de energia, disse Gene DeFoliart, professor de entomologia da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, à revista National Geographic. Comida é questão cultural.
Assim como insetos, lagostas e camarões são artrópodes. Na tradição judaica são considerados sujos por se alimentar de restos de comida. Para todos os outros povos são iguarias.

Comer insetos resolveria o problema da fome?
Não, mas ajudaria.
Cerca de 850 milhões de pessoas no mundo estão subnutridas. Em 2020 esse número poderá chegar a 1,2 bilhões.
“Insetos podem beneficiar muita gente e se tornar um ótimo complemento para a dieta”, afirma Tina van den Briel, nutricionista da World Food Program, a agência da ONU encarregada de programas de combate à fome, em entrevista ao site Fox News. “Mas a maioria das espécies é sazonal. Haveria dificuldades para conservá-los e transportá-los a longas distâncias.”

Revista da semana – março/2008

 
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