Qual a vantagem de comer insetos?
Insetos são altamente nutritivos. Segundo nutricionistas
da FAO, larvas desidratadas de mariposa, por exemplo, possuem todos
os minerais necessários para o ser humano, como potássio,
cálcio, zinco e fósforo.
São também uma excelente fonte de energia e proteína.
Cada 100 gramas equivalem a 430 calorias.
Gafanhotos grelhados têm 60% de proteína e apenas 6%
de gordura. Num hambúrguer essa proporção é
de somente 18% de proteína e 18% de gordura.
Estamos
prontos para comê-los?
Insetos já estão no cardápio de cerca de 90
países da África, Ásia e América Latina.
De acordo com a FAO, 1.462 espécies são consideradas
comestíveis.
Libélulas são degustadas na Indonésia, escorpiões
em Cingapura, içás (parte traseira das formigas) no
Brasil.
No Japão, larvas gratinadas de mosca com molho shoyu é
prato fino. Insetos ainda são gostosos, asseguram os apreciadores.
Formigas têm um gosto levemente avinagrado. Já as traças
lembram amêndoas.
E
no Ocidente?
O tabu é forte. Os países europeus aprendem lentamente
a apreciar essa exótica comida, mas os cosumidores ainda
são, na maioria, imigrantes.
O Congo exporta cerca de 8 toneladas de diversas espécies
por ano para a França e a Bélgica.
Em mercados tradicionais como La Boquería, em Barcelona,
barracas vendem aranhas e escorpiões desidratados. Livros
de receitas, como Eat-A-Bug Cook-book (algo como O Livro de Receitas
dos Insetos) são vendidos pela internet.
Cabe lembrar que os insetos eram apreciados nas antigas culturas
ocidentais. O historiador Plínio, o Velho (23 d.C. –
79 d.C.), autor de Naturalis Historia, conta que larvas de besouro
eram degustadas com vinho nas festas dos aristocratas romanos. O
filósofo grego Aristóteles (384ª.C. – 322ª.C.)
ensinava que a melhor época para comer cigarras fêmeas
era depois da cópula, quando elas estavam cheias de ovos.
Em
que momento comer insetos passou a ser repugnante?
Depois que a Europa se tornou agrária os insetos passaram
a ser vistos mais como destruidores de lavoura do que fonte de energia,
disse Gene DeFoliart, professor de entomologia da Universidade de
Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, à revista National
Geographic. Comida é questão cultural.
Assim como insetos, lagostas e camarões são artrópodes.
Na tradição judaica são considerados sujos
por se alimentar de restos de comida. Para todos os outros povos
são iguarias.
Comer
insetos resolveria o problema da fome?
Não, mas ajudaria.
Cerca de 850 milhões de pessoas no mundo estão subnutridas.
Em 2020 esse número poderá chegar a 1,2 bilhões.
“Insetos podem beneficiar muita gente e se tornar um ótimo
complemento para a dieta”, afirma Tina van den Briel, nutricionista
da World Food Program, a agência da ONU encarregada de programas
de combate à fome, em entrevista ao site Fox News. “Mas
a maioria das espécies é sazonal. Haveria dificuldades
para conservá-los e transportá-los a longas distâncias.”
Revista
da semana – março/2008
|