| Assim
como as palavras que entram na moda por algum período no
Brasil, como a pasta rosa, painel do Senado, a lista e os "ficha-suja",
também alguns assuntos são recorrentes no noticiário
por décadas. |
| Na
maioria dos grandes assaltos no Brasil, sempre aparecem as armas
exclusivas das forças Armadas. Nas reportagens das delegacias
vêm sempre às notícias de longas capivaras,
nomes de gíria atribuído ao tamanho das chamadas passagens
pela polícia. Em período de chuva não faltam
às mortes por quedas de barreiras, casas arrastadas pelas
enxurradas. Isso se ouve e se lê há pelo menos umas
três décadas.
Sobre
as armas exclusivas usadas nos assaltos, a imprensa falha por não
questionar de onde saíram. Antes de aparecerem nas mãos
de bandidos, elas desaparecem das mãos de agentes públicos.
Sem questionamento dos meios de comunicação passa-se
a impressão que elas surgem do nada. Toda arma oficial tem
um registro. Ao surgirem nos assaltos, inevitavelmente, teriam que
noticiar de onde saíram e as providências e conseqüências
do desaparecimento. Fica uma singela indagação aos
comandantes de onde e por quê saem tantas armas e não
se notícia o desaparecimento antes de aparecerem nas mãos
dos bandidos. Passou da hora de criar uma força-tarefa, mesmo
já tão desacreditada, para tentar recuperar essas
armas.
Assim
como as notícias de armas "exclusivas" das Forças
Armadas em outras mãos, também são repetidas
as enxurradas arrastando casas e as autoridades culpando quem construiu
onde não podia. Não mencionam a quem caberia evitar
as construções irregulares e a razão da eterna
omissão. Já as famosas capivaras, só corrupção
deslavada explica, já que todo inquérito policial
deve ser arquivado por autoridade judicial. E, salvo poucos crimes
que as vítimas podem desistir, a maioria é de ação
pública e todos deveriam ser remetidos à Justiça.
Enquanto
o Brasil não tiver um jornalismo mais incisivo e aprofundado
nos conteúdos das matérias, sem indagação
aos responsáveis por que as desgraças se repetem,
todo dia o noticiário vai continuar repetindo o abuso sexual
de criancinhas; as capivaras continuarão crescendo ao custo
da corrupção; bebês vão continuar sendo
jogados de toda forma pelas ruas, sem rigorosa punição
aos pais; as enxurradas vão continuar carregando vítimas
da casas construídas a muito dinheiro corrompido; e por último,
as armas, que deveriam ser exclusivas das Forças Armadas,
continuarão sendo muito mais exclusivas dos bandidos, sem
nenhum responsável pelo sumiço.
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