|
propagando do pleito. Ao invés de informar a ordem de votar,
por exemplo, de quem teria direito a votar e de quem estaria proibido,
a Justiça reforça a tese, absurda e distorcida, de
que cidadania se exerce com o simples ato de apertar botão
colorido no dia da eleição. Trata-se do coroamento
de uma confusão entre cidadania e o ato isolado e forçado
de votar.
Na
escolha dos candidatos à última eleição
para a Presidência da República, especialmente a do
Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, restou demonstrado
cristalinamente que o cidadão não tem nenhuma participação
no processo de escolha dos candidatos. Um jantar com três
caciques, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e Tasso
Jereissati fora à representação legítima
de todos os filiados. É assim em todos os partidos e para
todos os cargos.
No
Brasil o faz, desfaz, faz o mesmo novamente serve exatamente para
a perpetuação dos caudilhos. Isso é proposital,
é abrangente e tem beneficiado a política perpétua
da faz-de-conta. Exemplo são os anos, 6, 5, 4, da duração
do mandato de presidente; da reeleição, que há
dez anos era a salvação de tudo e dita por quase todos.
Diziam que um mandato era pouco. Definiam cada ano. O primeiro para
tomar pé da situação, o segundo para aprovar
alguns projetos, o terceiro para constatar que não podia
realizar o que prometera e o último para preparar a saída.
Só para ficar no campo da política.
Da
tese do valor do voto como trunfo maior da democracia, em 1986,
na disputa para governador foi feito um trabalho na escola. Minha
parte seria mostrar a importância do voto. Foi o melhor. Escolhi
diferentes cobras de plástico e a cada serpente atribuí
um nome de um candidato ao governo de São Paulo. Com elas
fiz um circulo sem nenhuma brecha. No centro desse círculo
coloquei um sapo que representava o eleitor. O dia da eleição
significava o dia que esse sapo sairia do círculo. Ou seja,
escolheria por qual cobra seria picado. Morreria de qualquer jeito,
apenas teria o direito de escolher com qual veneno. A cascavel foi
eleita. Era o Quércia.
Nunca
o desvio de verbas públicas fora um mecanismo de política
como agora. Os sanguessugas, a máfia das ambulâncias,
a máfia generalizada de todas as autoridades principais de
Rondônia... Parece que só sobram os deputados enquanto
as escutas não flagram numa falcatrua. E aí, até
pelo presidente da República, pau na Polícia Federal,
única instituição que tem recebido apoio e
merecido a confiança incondicionada da população.
Só que a Justiça Eleitoral se arroga no direito de
dizer que o eleitor deve votar bem, e na eleição passada
dizia que o eleitor seria o patrão! Ora patrão! Patrão
escolhe livremente seus funcionários. Se o voto fosse facultativo,
não haveria reparo, desde que a Instituição
dissesse que o direito de votar seria proporcional ao de não
votar. Além de distorção da função,
o momento recomendaria cautela. E a Justiça Eleitoral não
deveria fazer parte da onda geral de dar um valor que o voto definitivamente
não o tem. Principalmente porque o eleitor não tem
nenhuma influência nem participação na escolha
dos candidatos. Essa farsa não merece guarida da Justiça
Eleitoral. Com o grau de participação do eleitor no
processo eleitoral em geral, o voto do brasileiro vale tanto para
a democracia quanto o sapo para a fome da cobra.
|