| CHIM;
a influência deste livro estende-se ainda sobre as ciências
naturais e políticas.
Originalmente
o I CHIM era uma coletânea de sinais, com suas explicações
destinadas à adivinhação. Este tipo de adivinhação
baseava-se no “sim” que era expresso por uma linha inteira
e no “não” por uma linha cortada.
Foi
o Rei Uenn, fundador da Dinastia Chu (cerca 1.000 a.C.), que selecionou
e compilou o conjunto de preceitos e conceitos de sabedoria moral,
já então existentes há milênios, na forma
atual como conhecemos o I CHING.
Os textos
são breves. Seus conceitos não exprimem simples conclusões
tiradas de certas premissas que não foram incluídas
no texto. Esses conceitos são na verdade aforismos, cheios
de sugestões e implicações.
Com
o tempo esta adivinhação foi tomando a forma que conhecemos
atualmente, a forma do Hexagrama, composto por seis linhas.
O
que é
O I
CHING vem a ser uma espécie de módulo ou múltiplo
dentro de uma estrutura serial com fundamentos cósmicos que,
paradoxalmente, se assemelha ao sistema de informação
e programação dos atuais computadores eletrônicos,
respeitando, está claro, a diferença de códigos.
Com
isto, onde se poderia suspeitar a ação arbitrária
do acaso na consulta, esta vem, muito ao contrário, fundamentada
numa série de interrelações interiores, de
geometria cósmica.
Na mecânica
do pensamento chinês seu enfoque básico prende-se a
premissas de causa e efeito de outra ordem que não as relações
causa-efeito que formam a viga-mestre do edifício da ciência
ocidental cartesiana.
A
consulta
No I
CHING, a regra confirma a exceção, ou seja, seguindo
certas regras no manejo do livro penetramos nos domínios
do excepcional, isto é, chegamos a captar e compreender o
fluxo cósmico do instante da consulta. Sendo que nossas ações
futuras são determinadas por este fluxo, neste sentido conseguimos
desvelar o futuro. O instante da consulta é considerado em
sua totalidade, sendo único e irrepetível.
O conceito
do movimento ou mutação é empregado para abarcar
a totalidade no processo de mudança. O I CHING oferece uma
constelação de elementos, possibilitando ao observador
detectar diferentes possibilidades de combinações,
seguindo seu próprio método de interpretação.
A
interpretação
A chave
para a interpretação é a pergunta do consultante,
e a mecânica da consulta exige sua intervenção
para a modificação das relativas posições
dos elementos.
Portanto
o I CHING não é um livro de adivinhação
como qualquer outro. Para ele mais importante do que revelar um
fato futuro é apresentar à pessoa que o consulta toda
a complexidade da situação na qual ela pretende fazer
determinado ato.
O I
CHING é como um poema; o número de palavras é
limitado, porém as idéias que ele sugere não
têm limites. Deve-se ler o que se esconde entre as linhas.
Isto
quer dizer que aquelas idéias latentes formam a essência,
freqüentemente a parte principal do I CHING.
De modo
que numa apreciação ou abordagem reflexiva do material
do livro, o leitor freqüentemente deverá proporcionar
todas as ligações que são necessárias
para que os aforismos adquiram o valor de raciocínios e argumentos.
Fonte:
I CHING – O livro das Mutações – Roberto
Campadello
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