Se,
no passado, a sua função foi essencialmente defensiva,
no presente constitui um símbolo da China e uma procurada
atração turística.
As suas
diferentes partes distribuem-se entre o Mar Amarelo (litoral Nordeste
da China) e o deserto de Góbi e a Mongólia (a Noroeste).
História
A muralha
começou a ser erguida por volta de 220 a.C. por determinação
do primeiro imperador chinês, Qin Shihuang (também
Qin Shi Huangdi, Ch'in Che Huang Ti, Shih Huang-ti ou Shi Huangdi
ou ainda Tchi Huang-ti). Embora a Dinastia Qin (ou Ch'in) não
tenha deixado relatos sobre as técnicas construtivas que
empregou e nem sobre o número de trabalhadores envolvidos,
sabe-se que a obra aproveitou uma série de fortificações
construídas por reinos anteriores, sendo o aparelho dos muros
constituído por grandes blocos de pedra, ligados por argamassa
feita de barro. Com aproximadamente três mil quilômetros
de extensão, a sua função era a de conter as
constantes invasões dos povos ao Norte.
Com
a morte do imperador Ch'in, iniciou-se na China um período
de agitações políticas e de revoltas, durante
o qual os trabalhos na Grande Muralha ficaram paralisados. Com a
ascensão da Dinastia Han ao poder, por volta de 205 a.C.,
reiniciou-se o crescimento chinês e os trabalhos na muralha
foram retomados ao longo dos séculos até ao seu esplendor
na Dinastia Ming, por volta do século XV, quando adquiriu
as atuais feições e uma extensão de cerca de
sete mil quilômetros, estendendo-se de Shanghai, a leste,
a Jiayu, a oeste, atravessando quatro províncias (Hebei,
Shanxi, Shaanxi e Gansu) e duas regiões autônomas (Mongólia
e Ningxia).
A magnitude
da obra, entretanto, não impediu as incursões de mongóis,
xiambeis e outros povos que ameaçaram o império chinês
ao longo de sua história. Por volta do século XVI
perdeu a sua função estratégica, vindo a ser
abandonada.
No século
XX, na década de 1980, Deng Xiaoping priorizou a Grande Muralha
como símbolo da China, estimulando uma grande campanha de
restauração de diversos trechos que, entretanto, foi
questionada. A requalificação do monumento para o
turismo sem normas para o seu adequado usufruto, aliado à
falta de critérios técnicos para a restauração
de alguns trechos (como o próximo a Jiayuguan, no Oeste do
país, onde foi empregado cimento moderno sobre uma estrutura
de pedra argamassada, conduzindo ao desabamento de uma torre de
seiscentos e trinta anos), gerou várias críticas por
parte de preservacionistas, que estimam que cerca de dois terços
do total do monumento estejam em ruínas.
Características |
Por
exemplo, perto de Beijing, os muros foram construídos com
blocos de pedras de calcário; em outras regiões,
podem ser encontrados o granito ou tijolos no aparelho das muralhas;
nas regiões mais ocidentais, de desertos onde os materiais
são mais escassos, os muros foram construídos com
vários elementos, entre os quais faxina (galhos de plantas
enfeixados).
Além
dos muros, em posição dominante sobre os terrenos,
a muralha compreende ainda elementos como portas, torres de vigilância
e fortes.
As
torres, cujo número é estimado por alguns autores
em cerca de quarenta mil, permitiam a observação
da aproximação e movimentação do inimigo.
As sentinelas que as guarneciam serviam-se de um sistema de comunicações
que empregava bandeiras coloridas, sinais de fumaça e fogos.
De planta quadrada, atingiam até dez metros de altura,
divididas internamente. No pavimento inferior podiam ser encontrados
alojamentos para os soldados, estábulos para os animais
e depósitos de armas e suprimentos.
Os
fortes guarneciam posições estratégicas,
como passos entre as montanhas. Eram dotados de escadas para a
infantaria e de rampas para a cavalaria, funcionando como bases
de operação. Eram dominados por uma torre de planta
quadrada, que se elevava a até doze metros de altura, e
defendiam grandes portões de madeira.
Wilipédia
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