Anteriormente
os pensadores Asiáticos estavam ocupados com a origem do
significado da vida ou em última instância com o verdadeiro
objetivo do ser humano e as formas de utilizar o conhecimento vital
para o auto cultivo e auto conquista. Um dos mais valiosos e ainda
um dos mais coerentes trabalhos, que adiciona entendimento aos processos
rítmicos da vida, com o propósito de levar o homem
a harmonizar-se com eles, é o Livro das Transmutações".
De fato,
no Ocidente, desde Galileu, o pai do método científico
(que viveu por volta de quatrocentos anos atrás), os cientistas
têm investigado continuamente as leis naturais ou leis positivas.
Os mais altos conceitos sem dúvida alguma, são a Primeira,
Segunda e Terceira Lei de Newton da Dinâmica e a sua Lei Universal
da Gravidade. A equação de Einstein para a relação
entre a matéria e a energia é E=MC2. Estas leis positivas
conduziram finalmente o homem ao entendimento da Natureza e Ruptura
do Átomo, mas não tantas leis foram descobertas no
que diz respeito à Cultura e Ciências humanas. Tudo
o que conhecemos são leis Causais, presunções
metodológicas e Leis Estatísticas, Leis Tecnológicas,
etc. Porém no que diz respeito ao lado humanístico,
o Ocidente é bastante atrasado em comparação
às conclusões sobre ciência Natural.
Como
o I Ching representa o primeiro combate da mente Chinesa para descobrir
os mistérios e segredos do Universo tão bem como a
natureza do homem e sua cultura, trata-se de um livro de disciplinas
unificadas, incluindo estudos de cosmologia, sociologia, culturologia
e ética. Em resumo, o I Ching é um tipo de Filosofia
Sintética. Uma explicação interessante sobre
como os antigos sábios chegaram às suas conclusões
para usarem os Hexagramas como preceitos abstratos que expressam
fatos reais, é que eles usaram fórmulas de mutações
nas quais os múltiplos fenômenos são despidos
de sua variedade e reduzidos à unidade e harmonia. No Apêndice
do Livro encontramos:
"No
início dos tempos, quando Fu Hsi andava pelo mundo, olhou
para cima para observar os fenômenos dos corpos planetários,
olhou para baixo para provar as leis das miríades de coisas
na Terra. Examinou os sinais dos pássaros e bestas e estudou
como estavam adaptados em seu habitat. Algumas idéias, retirou
da observação de seu próprio ser enquanto que
outras, através das coisas dispersas na Terra. Assim, ele
inventou os Oito Trigramas, como um meio de comunicar as virtudes
dos seres espirituais e dar significado às características
de miríade de coisas". (O Apêndice, Parte II).
A passagem
acima descreve o método pelo qual o primeiro sábio
formou uma visão cósmica e princípio ético
da vida. No Apêndice atribuído à Confúcio,
encontramos:
"O
I harmoniza-se com o Céu e a Terra, dando como resultado,
sua completa interação com o "Tao" do Céu
e da Terra."( Apêndice IV). O "I" é
um livro vasto e grande no qual todas as coisas estão completamente
contidas. O Tao do Céu está nele, o Tao da Terra está
nele e o Tao do Homem está nele. Combina estes três
poderes primários e os duplica; aí está o porque
de haverem seis linhas. Estas linhas, não são outra
coisa senão o Tao dos três poderes primários"
(O Apêndice, Parte II)
E ainda,
o autor do Apêndice corrobora que "o conhecimento contido
neste livro é compreensível o suficiente para abranger
todas as coisas do Universo e sua filosofia útil o bastante
para beneficiar a todas as pessoas do mundo". (O Apêndice,
Parte I)
O I
Ching tem sido comentado e interpretado por centenas de livros de
vários autores chineses durante os últimos 2000 anos
e é sem dúvida um sistema altamente complexo. Observando
as questões a respeito de suas origens, Wang Kuo Wei (1877
a 1927 d. C) escreveu:
"O
texto deste trabalho possui as 'notas explicativas nos Hexagramas
(Kua Tzu) e as notas explicativas nas linhas esquemáticas
(Hsiao Tzu)' e foi composto na primitiva dinastia Chou. Seus comentários,
'Os Dez Apêndices - Shih I - literalmente As Dez Asas' foram
atribuídos à Confúcio ou a seus discípulos
que os escreveram de acordo aos seus ditames."
Apesar
de acreditar que o I Ching deve sua remota origem aos Oito Trigramas
de Fu Hsi, um crítico moderno baseando sua especulação
na antropologia, teorizou que os Oito Trigramas foram desenhados
pelos mágicos da sociedade literária que deveriam
ser os mesmos mágicos ou sacerdotes da Dinastia Yin (sec.
17 a sec. 11 a C.)
Em meu
próprio julgamento, gostaria de sugerir que a idéia
original do I Ching, particularmente o conceito de TAO (também
conhecido como Tai Chi), foi originada há muito tempo atrás,
provavelmente na Era Totêmica dos princípios Paleolítico
e Neolíticos. Tanto Confucionistas como Taoístas baseiam
seus sistemas no TAO, que tem sido explicado através do I
Ching. De acordo a este livro, um aspecto Yin e um aspecto Yang,
configuram TAO, aquilo que foi definido por Lao Tzu como INDEFINÍVEL,
O PRINCÍPIO DOS PRINCÍPIOS, sendo esta, a Lei do Universo.
A idéia original foi mais tarde, amplamente desenvolvida
por Fu Hsi, Rei Wen e o Duque de Chou; ambos últimos que
viveram no Sec. 12 a C. Alguns séculos mais tarde foi concluído
por Confúcio e seus discípulos que o realizaram através
de uma filosofia altamente abrangente.
Fonte:
China Online |