"Da mesma forma que o amor vos coroa, ele vos crucifica...".
"... E assim como ele existe para vos fazer crescer, também,
vos poda...".
"Mas, se em vosso temor buscardes somente a paz do amor e o
deleite do amor, então, seria melhor que cobrísseis
a vossa nudez e passásseis ao largo da eira do amor, para
entrar em um mundo monótono, onde riríeis, mas não
todo o vosso riso, e choraríeis, mas não todas as
vossas lágrimas...".
Gibran, como muitos outros, conheceu o amor em todos os seus aspectos,
seus prazeres e sofrimentos. Ele sabia muito bem que o primeiro
impulso, ao desfazer-se um romance, é o de jamais querer
apaixonar-se completamente, o que significaria uma insensatez. Por
outro lado, técnicas agressivas, desagradáveis ou
mesmo sutis, significariam o afastamento do amor. Ambas as atitudes
levam, seguramente, a uma vida de completa solidão.
Quando sofremos uma grande decepção, não devemos
ficar desanimados. Se verificarmos que no momento não há
ninguém para receber o amor que temos para dar, devemos recolhe-lo
para bem dentro de nós mesmos. Assim, esse amor interiorizado
vai permitir que a irradiação da bondade, da paz profunda
de nossa personalidade e de nosso saber, alcance todos os que encontrarmos
em nossa trajetória. Deixemos que isso se propague em tudo
o que fizermos. Tornemo-nos uma parte conscientemente ativa de tudo
o que estiver em nosso caminho.
Devemos saber que nunca atrairemos outra pessoa se ficarmos distantes,
não mantendo contato com os outros, ou se vivermos em um
clima de autopiedade e profunda depressão.